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Aldeia Karuguá Por Tatiana Reis Manhã ensolarada e estrada mais que empoeirada... O professor Carlos da Silva é amigo e um estudioso da aldeia, ele foi o meu guia nessa aventura extremamente diferente. Saindo de Piraquara, percorremos uns 35 km em estrada de chão, ou melhor, em estrada de puro e muito pó. Meu carro ganhou uma nova cor! Morei 13 anos no Acre e nunca tive a oportunidade de visitar uma aldeia indígena; esse seria o meu primeiro contato com as nossas verdadeiras raízes. Todas essas dificuldades estavam por ser superadas depois que entramos à esquerda e de longe já dava para avistar as casinhas... Que ocas, que nada! Saí de casa achando que veria crianças nuas, correndo pelas ocas e lá estavam todos bem vestidos morando em suas humildes casinhas de telhas de barro. As crianças ficaram meio desconfiadas com a minha presença e cochichavam um com os outros em guarani. Nem tentei entender! A Aldeia Karuguá, "Arco-íris" em guarani, vive com uma filosofia de vida de quanto menos contato com os brancos melhor. Instalada há 1 ano e meio nos mananciais da serra, em Piraquara, a comunidade é composta por 55 índios guaranis, entre adultos e crianças, que vivem sem luz elétrica, sem gerador e sem água encanada. O principal objetivo da aldeia hoje é preservar a sua cultura, tanto que todos conversam em guarani, somente alguns adultos falam português. As crianças, em especial, aprendem primeiro o guarani para depois começar a falar o português. O Rivelino é o líder da aldeia, ele conta que as crianças podem até estudar fora da tribo, mas não podem deixar de ser índios. "A nossa pretensão é divulgar a nossa cultura e viver em harmonia", diz Rivelino. E para perpetuar esta rara cultura, a aldeia possui um coral com 20 crianças e adultos chamado Ambá Werá, "altar resplandecente" em guarani. Recentemente, o coral gravou um CD com 13 cantos, todos em guarani, falando sobre lendas, orações e saudações às suas divindades. "Os cânticos vêm dos nossos antepassados e vão passando de geração para geração", diz Gildo que é o responsável pelo coral. Segundo ele, "as crianças vão aprendendo com os mais velhos para quando elas crescerem ensinarem para os pequenos". Passeando na aldeia, o Rivelino contou que uma das intenções do coral é a valorização da cultura pelas autoridades. O coral faz apresentações principalmente em escolas, transmitindo uma mensagem de paz a todos e difundindo a cultura indígena. "A gente faz essa mensagem bonita assim para quem sabe os brancos respeitem a gente", confessa Rivelino. "Poucos brancos dão valor à nossa cultura, mas a gente quer preservar nossa cultura para nós mesmos", completa Gildo. É da venda de CDs e de artesanatos que vem toda a renda dos Karuguás. Eles não podem caçar, pois moram em área de preservação ambiental, e a horta não é suficiente para alimentar a todos precisando sempre de doações de pessoas amigas da aldeia. A grande vontade da tribo é que eles se tornem cada vez mais independentes da cultura branca e mais próxima da cultura tradicional indígena. E de acordo com a tradição, caso alguém se case com um branco, vai ter que abandonar a aldeia. Mas, "para a gente viver como antigamente não dá mais porque já acabou tudo, acabaram as matas, acabaram as caças...", finaliza Gildo. |
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Conheça
a letra de um dos cantos do Coral Ambá Werá.
NHAMANDU MIRÎM - Pequeno Deus Sol Compositor: Gildo da Silva - Kuaray Papyguá Nhamandu Mirîm Toma'ekatu Jaguata'i Aguâre Jaupityi'i Agwâ nhanderekoare javy'a agwâ Jaupityi'i Agwâ nhanderekoare javy'a agwâ Pequeno Deus Sol Olhe pelo nosso caminho para que possamos chegar bem até nossa morada e sermos felizes para que possamos chegar bem até nossa morada e sermos felizes. |