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Levis e Valesca no Glaciar Perito Moreno, Argentina

O casal "multimídia"
da aventura

Fotos de Ricardo Faria, Viviane Giordano, Levis Litz e Valesca Giordano Litz

      A vontade de conhecer outras fronteiras e culturas levou o casal
Levis Litz e Valesca Giordano Litz a viajar pelo mundo

      Depois de ficar cinco anos fora do Brasil e percorrer mais de trinta e sete países da Europa, Norte da África, América e Oriente Médio, o curitibano Levis e a gaúcha, de Caxias do Sul, Valesca, tiveram tantas histórias para contar que deixaram-se levar pela idéia de compartilhar suas experiências com todas as pessoas em geral. Levis e Valesca lançaram-se ao mundo no início de 1989, em um relacionamento que resultou, até agora, numa coleção de aventuras e façanhas. Depois de um vôo sobre o Atlântico, pararam em Casa Blanca, no Marrocos, onde relembraram cenas do filme do mesmo nome, estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Cinco anos depois desembarcavam, de volta, em Curitiba, onde residem até hoje, ao final de um capítulo de uma das maiores aventuras que tiveram: conhecer, bem de perto, um pedaço do mundo.

Um homem, uma mulher, uma aventura

      Levis e Valesca estudaram na Universidade de Londres, cidade onde Levis foi editor de uma revista e supervisor de distribuição de outra. Na área de fotografia, ele tornou-se autodidata quando começou a trabalhar com imagens, em 1989, mas profissionalizou-se como repórter fotográfico há apenas seis anos.

      Nas páginas da história do casal no exterior, eles trabalharam em inúmeros empregos. Na Inglaterra, Levis, além de editor, supervisor e fotógrafo, foi motorista, jardineiro, catador de copos numa Disco, entregador de jornais e folders, lixador de molduras de espelho, limpou um Pub (bar inglês) e chegou até a tocar ganzá no metrô, na linha Piccadilly.

      Valesca, em paralelo, também estudava inglês, distribuía revistas, era bar-maid, na mesma Disco do Levis, e ainda trabalhava no Centro de Conferências Queen Elizabeth II.

      Na Itália, próximo a fronteira com a Áustria, Levis trabalhou no estoque de bebidas de um hotel nas montanhas enquanto a Valesca, era atendente num restaurante. Mais tarde ele foi parar numa serraria, por dois meses, e logo depois os dois foram trabalhar juntos novamente numa colheita de maçãs. Até que seguiram para um mosteiro em Spello, no centro da Itália e lá trabalharam em outra colheita - de azeitonas.

      Em Israel, onde viveram por seis meses, foi a vez do casal residir por dois meses como voluntários em um kibutz, a dez quilômetros de Nazareth, lugar bíblico, e trabalhar no frigorífico. Depois foram para Eilat, onde viveram por dois meses numa barraca à beira do Mar Vermelho, na fronteira com a Jordânia. Lá encontraram empregos na praia, num Hospital e num Shopping Center. "É claro que muitos desses trabalhos foram temporários, curtos e em épocas diferentes ao longo da viagem", afirma o casal.

  De volta para casa

      Ao voltar para casa, Levis fez o curso de Comissário de Vôo para se tornar aeronauta, depois de se formar acabou sendo editor de um jornal cultural de 1994 a 1996 em Curitiba. Ainda assim, achou tempo para dirigir a produção de um programa para uma TV a cabo local. A Valesca, enquanto isso, começou a lecionar História no Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto.

Vida de Fotógrafo

      Em 1996, o fotógrafo apresentou sua primeira mostra fotográfica "O Mundo In Focus", uma exposição que mostrou um pouco de suas aventuras pelo mundo, desde Machu Picchu até os confins do Egito, na fronteira com o Sudão. O sucesso foi tanto que o fotógrafo foi convidado para levar a exposição para outros espaços culturais da capital do Paraná e interior do Estado.

      Numa reunião com os amigos, Levis e Valesca perceberam que conheciam pouco o seu próprio país.
Seus amigos
mencionavam lugares próximos a Curitiba que eram maravilhosos. Assim, eles decidiram
conhecer tudo de uma vez. Em
apenas trinta dias, de motocicleta, o casal percorreu 173 praias do litoral do Paraná e Santa Catarina. Como não podia ser diferente, em 1997, veio a segunda exposição do Levis: "Praias", onde retratou as curiosidades e belezas das praias que o casal conheceu.

      Ainda naquele mesmo ano, Levis, a pedido de uma escola estadual do Paraná, realizou outra exposição fotográfica: "Cores de Adolescentes". Em 1998, mais mostras vieram a tona: "Faróis: os guardiões dos mares do sul", "Na Rota Sul: Rio Grande do Sul e Uruguai" e "Grã-Bretanha: uma região de lendas e encantos" a pedido da Cultura Inglesa de Curitiba.

      Em 1999, Levis realizou duas exposições fotográficas "Retratos do Sul da América do Sul", no Instituto Goethe, e "Patagônia e Terra do Fogo", na Universidade Tuiuti do Paraná. Entre suas exposições individuais, participou de três exposições fotográficas coletivas: "Fotógrafos de Curitiba" em 1997, "13ª Mostra de Fotojornalismo" em 1998 e "14ª Mostra de Fotojornalismo" em 1999. Neste ano, o fotógrafo participou de três mostras coletivas realizadas pela Sociedade Latino-americana de Fotografia: Iº, IIº e IIIº Varal SLAF de fotografia.

Reconhecimento

      Entre outras atividades, o jornalista e ex-pára-quedista, foi diagramador, realizador do "Iº Seminário de Fotografia - Fotógrafos de Curitiba" em 1997 e professor de espanhol e italiano.
      Como fotógrafo e jornalista, Levis possui um extenso acervo com importância documental, entre eles, registros sobre os casos de hanseníase no interior do Paraná, em 1997, sobre as mortes dos animais na Reserva Ecológica do Taim, em 1998, no Rio Grande do Sul, e participações no "Concurso Internacional Anual de Fotografia World Press Photo", Edições 1997,1998, 1999 e 2000, Amsterdã, Holanda.

      Outros trabalhos realizados renderam-lhe prêmios na categoria de reportagem fotográfica: um primeiro lugar com o tema:"Balonismo compõe a paisagem da capital ecológica" e um segundo lugar com "Terra, Respeito e Dignidade". Levis foi também homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba: em 1995, pela sua iniciativa em publicar um jornal mensal voltado a temas culturais e em 1999 pelo trabalho que vem realizando na área de fotografia e jornalismo voltados para a Região Sul do Brasil.

Nos dias atuais

      Valesca é formada em História pela Universidade Federal do Paraná, com diversos cursos de extensão. Fala inglês, italiano e espanhol. Têm vários textos publicados em jornais sobre aspectos culturais e históricos do Egito. Atualmente, é professora de História no Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto e fez pós-graduação em "Atualização Pedagógica" pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

       Levis é jornalista e repórter fotográfico. Tem publicado mais de 120 artigos sobre cultura, turismo, fotografia
e aventura para inúmeras revistas e jornais. É membro-fundador da Sociedade Latino-americana de Fotografia e
colabora com escolas dando palestras sobre fotografia e aventura. Quando sobra um tempinho presta
consultoria na área de comunicação.

A força de um casal

      Após tantas recordações, o casal não pára e não parece estar disposto a dar um fim na fase de suas aventuras. Sempre que há algum tempo livre para viajar, os dois estão tomando rumo para algum lugar. Fazem de suas inquietações sempre um motivo para colocarem os pés na estrada. Um ano foi Machu Pichu, em outro, cavernas do Paraná, no seguinte, uma viagem por 173 praias, depois uma aventura de 11 mil quilômetros sobre duas rodas até Patagônia e Terra do Fogo.

      Os viajantes consideram-se profissionais multimídia e planejam muito mais viagens, aventuras e fotografias para compartilhar com as pessoas. Contagiam pelo entusiasmo e exercem forte influência sobre todos aqueles que um dia sonharam responder ao ímpeto de aventura. Ao revelarem suas experiências, Levis e Valesca souberam tirar proveito de uma das melhores coisas que existe em nossa sociedade: uma vida bem vivida registrada e baseada em fotos e rumos.

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