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Entrevista
com o viajante
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Clodoaldo Turbay Braga
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Por Juliana Costa |
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Você
já pensou em ir até o Alaska? E de motocicleta?
Se esta idéia parece absurda, confira só o que Clodoaldo Turbay Braga, médico e motociclista, viveu durante os 34.000 km de estrada em uma Suzuki DR800 Sbig, rumo ao extremo norte do mundo. Ele Passou por 13 países diferentes, em paz e harmonia com a natureza. Sentiu o vento soprar o rosto e ouviu o barulho do motor. Uma aventura que resultou no livro "Alaska, além do círculo polar ártico. Clodoaldo Turbay Braga nasceu em Marialva, Paraná. Formou-se há 27 anos pela UFPR em Medicina e especializou-se em homeopatia e cirurgia geral. O motociclismo, de uma grande paixão passou a ser um estilo de vida. |
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Fotos e Rumos - O que veio primeiro, a paixão pela medicina ou pela
motocicleta? Clodoaldo - Quando estava no 4º ano de medicina consegui dinheiro para comprar a primeira moto. Desde então, trago sempre junto a medicina e a motocicleta, duas coisas que gosto muito. Fotos e Rumos - Como você concilia profissão e lazer? Clodoaldo - As vezes é um pouco difícil, mas quando marco uma viagem mais longa começo a trabalhar bastante antes. Deixo outro médico homeopata cuidando do meu consultório e dos meus pacientes. Fotos e Rumos - Você costuma viajar sozinho ou tem uma equipe? Clodoaldo - Para viagens mais curtas, sempre em equipe. Um exemplo é a viagem de Goiânia, fomos em cinquenta motos. Já para o Alaska, fui só com um amigo, pois não é todo mundo que tem disponibilidade de ficar três meses fora. Como sou autônomo... Fotos e Rumos - Como surgiu a idéia de ir para o Alaska? Clodoaldo - Sempre gostei de ir para lugares distantes. Procurei no mapa o lugar mais longe que poderia ser percorrido de moto. Aí eu pensei - é aqui (apontando o dedo para o mapa). O lugar mais longe que existe e eu vou chegar. Fotos e Rumos - Você teve um roteiro planejado? Clodoaldo - Tivemos um roteiro me-ti-cu-lo-sa-men-te planejado, com todos os detalhes, lugares que iríamos passar, quilômetro por quilômetro. Onde deu tudo exatamente em cima, tudo certinho. Fotos e Rumos - Onde vocês paravam para descansar, se alimentar, dormir... Clodoaldo - Isto era um problema. A gente parava onde dava. Tinha dias em que parávamos em um hotel muito bom e outros nem tanto. No Alaska tivemos que dormir no meio do mato. Para comer era a mesma coisa, come-se bem quando dá, e as vezes passa-se fome, mas isso faz parte. Em viagem de moto a grande aventura é esta, você não sabe onde vai parar. Fotos e Rumos - O que foi necessário levar na mochila? Clodoaldo - Na mochila calculamos muito bem roupas de frio e roupas de reserva, alimentação bem distribuída para evitar desnutrição, barras de cereais, fogareiro, barraca, saco de dormir e capas de chuva. Levamos a mochila bem completa, não faltou nada. Fotos e Rumos - Teve algum preparo especial antes da viagem? Clodoaldo - É obrigatório por lei fazer as vacinas, mas como sou homeopata consegui uma declaração da Saúde Pública, não fiz as vacinas e me preveni com homeopatia. Fotos e Rumos - Teve algum contratempo no meio do caminho? Clodoaldo - Não foi bem um contratempo, mas foi uma coisa muito perigosa. Entre a Colômbia e o Panamá não tem estrada, tivemos que atravessar de barco. Mas o barco era muito pequeno, ficamos três dias e três noites no meio do oceano sem ver terra. Confesso que deu muito medo, mas não aconteceu nada. Fotos e Rumos - Quais foram as maiores dificuldades encontradas? Clodoaldo - Na América do Sul e América Central é o perigo de assalto. Já na América do Norte, Canadá e Alaska o maior perigo é o ataque de urso e o frio. Essas foram as maiores dificuldades. Fotos e Rumos - Como foi a recepção dos moradores dos locais por onde passaram? Clodoaldo - O pessoal recebe a gente maravilhosamente, como um irmão. O viajante de motocicleta é muito bem recebido em todo quanto é lugar. Por onde passávamos recebíamos acenos. As pessoas gostam do motociclista, gostam mais do que o sujeito que está de carro. Fotos e Rumos - Qual foi o melhor momento da viagem? Clodoaldo - O melhor momento da viagem, que eu realmente chorei, foi a hora em que fiz uma curva e vi a placa "Welcome to Alaska". Depois de dois meses e meio viajando, consegui atingir meu objetivo. Realmente este dia foi muito emocionante. Fotos e Rumos - Como você se avaliou durante estes três meses de estrada? Clodoaldo - Mudei de idéia sobre mim mesmo. Eu achava que era um indíviduo corajoso e fraco fisicamente. Descobri que sou forte fisicamente, resisti bem a viagem, e descobri também que consigo controlar bem o medo e consegui me comportar normalmente em situações limite. Eu gostei disso, fiquei mais seguro de mim. Fotos e Rumos - Você tem alguma filosofia de vida? Clodoaldo - É nunca fazer nada que não promova operação entre as pessoas, que não traga algo de bom para as pessoas. Mas a minha grande filosofia de vida é que não existe fronteiras. Fronteiras são limites meramente geográficos e políticos sem nenhuma significação. Tanto faz você conversar com um indíviduo aqui no pólo-sul ou no pólo-norte. Todos nós somos o mesmo tipo de gente, só muda um pouco a educação e a roupa, somos todos irmãos na verdade. Fotos e Rumos - E para 2001, quais são seus objetivos? Clodoaldo - Para este ano não tenho nada planejado, pois estou em uma fase em que não posso sair de Curitiba. Mas para 2002 gostaria de cruzar toda a Rússia, China e Sibéria. Fotos e Rumos - Gostaria de deixar uma mensagem para o pessoal que curte adrenalina sobre duas rodas? Clodoaldo - Eu acho que os motociclistas, os radicais e os menos radicais também, somos uma grande família. Uma família maravilhosa, somos todos irmãos. E a nossa grande função neste mundo, eu acho, é irmanar os povos e desarmar aquela noção de fronteira. Os motociclistas provam isto todos os dias antes dos outros. Os outros provalvelmente ainda vão chegar lá. |