O
Turismo Urbano
A
partir da Segunda Guerra Mundial quando a cidade é visionada somo um
grande causador de estresse devido ao
desenvolvimento industrial; na evolução dos estudos destas questões,
surge outro tipo de indústria como contraponto a indústria
do turismo que na época designava somente o turismo de lazer, e mais
recentemente o turismo urbano amplia sua área de
abrangência nas modalidades de eventos e negócios. Imposta pela determinação
de que a viagem seria a única forma de
relaxamento frente as neuroses urbanas, essa ideologia criada pelos
países centrais do capitalismo, chega ao Brasil em meados
dos anos 60.
Foi na Revolução Industrial que as cidades incharam, as indústrias se
instalavam nas imediações ou dentro dos limites dos
municípios devido à facilidade de aquisição de matéria prima na região
e da garantia do comércio além de transformar toda a
Geografia da região. O sistema de produção privilegia o crescimento
das indústrias e simultaneamente o crescimento das cidades
tornando-as grandes consumidoras. Efetivamente os habitantes destas
cidades tomam-se prisioneiras do tempo onde encontramos
aí o fator condicionante para a ausência de horas de lazer. Tudo na
cidade gera competição e o tempo é fator fundamental para
qualquer cidadão se projetar socialmente no mundo capitalista.
O turismo nasce da necessidade do cidadão
urbano em criar alternativas de relaxamento diante da pressão diária
que sofre na
cidade. Tais alternativas foram conquistadas sobre leis trabalhistas
de onde o trabalhador dispõe de férias para descansar de tal
pressão. As viagens programadas começam a despontar para facilitar e
economizar tempo para estes cidadãos, e tais
programações são projetados e direcionados ao turismo de massa. Portanto,
é na cidade que o turismo é elaborado devido a
sofisticação dos serviços para sua realização, serviços esses baseados
na comunicação envolvendo áudio, visual e audiovisual.
Atividade exclusivamente urbana, é das
cidades que se obtém as informações, o planejamento e o início do turismo
para
qualquer lugar, inclusive o mais remoto do planeta, denominando esta
atividade de cidade emissora. BENEVIDES (1998, p. 90-91),
cita que a produção e a veiculação superdimensionada de paisagens construídas
e herdadas, valores e hábitos de convivência
significativamente diferenciados daqueles realçados nos territórios
preponderantemente de trabalho, idealmente tipificados nas
grandes metrópoles, onde justamente reside a grande massa daqueles potenciais
turistas, consumidores destas imagens.
Significa afirmar que o mundo da organização
da produção, é o mesmo mundo que irá desenvolver locais ou cidades para
desfrute, contemplar a natureza e uma convivência social temporária
com outras sociedades. E, os veículos de comunicação se
tornam primordiais para que o consumo destes serviços se tornem voraz
frente aos cidadãos urbanos que buscam o preenchimento
das horas de ócio com lazer.
O turismo urbano então apresenta três
aspectos territoriais e segundo RODRIGUES (1997, p. 130) as define assim:
Áreas de dispersão - a formação da demanda
se dá nas metrópoles, grandes e médias cidades.
Transportes - a demanda se desloca em
linhas de redes através de fluxos aéreos, terrestres, fluviais ou marítimos.
Núcleo receptor - local onde se produz
ou reformula o espaço turístico para recepcionar a demanda.
Portanto, é no núcleo receptor que se
dá o consumo consuptivo e produtivo do espaço, SANTOS (1994, p. 147)
cita: "Há, na
realidade, superposição dos eleitos do consumo consuptivo e do consumo
produtivo, contribuindo para ampliar a escala de
urbanização e para aumentar a importância dos centros urbanos, fortalecendo-os
tanto do ponto de vista demográfico, quanto do
ponto de vista econômico".
As principais áreas de núcleo receptor
estão onde ha concentração de recursos paisagísticos, em particular
os da orla
litorânea devido as várias formas de recreação ao ar livre. A atração
por estas áreas é universal e se torna acessível devido a infra
estrutura implantada. mas as consequências de uma expansão acelerada
necessita de uma atenção, um planejamento que é
fundamental através de especialistas nas áreas de urbanização, projetando
a cidade para uma maior demanda, organizando
manutenções e ampliações nas malhas rodoviária, ferroviária, aeroporto
e porto. A essencialidade de criar normas e leis para reger
a proteção ambiental é fator preponderante na atualidade mundial.
O turismo urbano encontra apoio na organização
política e econômica do país, e seu caráter revitalizador esta na função
recreativa e cultural com suas diversas expressões: espetáculos, exposições,
meios de comunicação e entretenimento. A cidade
põe a disposição todo o seu acervo de elementos acumulados ao longo
de sua história, transmitindo uma imagem própria e
realizando as atividades a ela vinculada. A imagem da cidade se transforma
em veículo que apoia e legitima as atividades de
consumo, portanto a recuperação de equipamentos de infra estrutura urbana
carregado de valores culturais é uma estratégia de
apropriação dos valores sociais e de venda. BERTONCELLO apud RODRIGUES
(1996). Até o presente momento, o interesse dos
geógrafos brasileiros por esse tema tem sido, quase sempre, provocado
por sua participação em estudo especifico destinado ao
planejamento (Rodrigues: 1997, p 132).
Em outros países com a tradição
geográfica mais acentuada, percebe que os trabalhos de Geografia do
Turismo começaram
a se tomar expressivos a partir da década de 60, motivados pelo incremento
econômico do pós guerra (Rodrigues, 199l). No Brasil
a especialidade de Geografia do Turismo ainda é muito recente e quase
nulas se comparadas a outras especialidades como a
Geografia urbana, industrial e outras. Somente nos anos 70 é que se
publicam os primeiros estudos geográficos sobre o fenômeno
turístico através de Kleber M. B. Assis em 1976 intitulado de O Turismo
Interno no Brasil em dois volumes.
Na década de 90 é que o Brasil começa
a desenvolver melhor os estudos nesta área, devido as análises de especialistas
econômicos mundiais projetando o turismo como a economia do III Milênio,
estes estudos começam então a serem desenvolvidos
sincronizadarnente com planejamentos sociais.
Na atualidade é impossível dissociar
o turismo urbano com a economia, e o principal suporte para que o desenvolvimento
urbano aconteça é um aeroporto. Um aeroporto bem equipado é a principal
porta de entrada de divisas para uma cidade, conectado
a uma boa malha rodoviária e ferroviária; facilita o desenvolvimento
industrial que desencadeia automaticamente a evolução de
diversos outros setores na localidade como atividades sociais, culturais,
de lazer, de serviços e obrigatoriamente a elaboração das
ações governamentais no que se refere ao controle espacial da cidade.
Entra em ação o planejamento de infra estrutura para
efetivar tal base de desenvolvimento como saneamento básico de água
e esgoto, controle da verticalização nas construções que
ocasiona queda de conforto térmico e poluição visual, controle de tráfego,
facilidades de abastecimento, controle ambiental, etc....
Esse planejamento se torna primordial
em todos os ângulos para a manutenção da região e do bem estar social,
porque, se tal
planejamento não for executado, tornarão impossíveis de reverter tais
problemas acima citados, pois a especulação imobiliária é o
"start" da degradação sendo usado como estratégias para forçar a ampliação
da malha urbana.
Em cinco anos (1991-1996) a Região Metropolitana
de Curitiba foi a que mais cresceu no Brasil conforme o IBGE atingindo
3,4%. Enquanto que Curitiba no mesmo período apresentou o índice de
2,3% ao ano de crescimento populacional, outras cidades
chegaram ao elevado índice de 12%, caso este de Campina Grande do Sul.
Segundo FIRKOWSKI (1997, p.20), na década
de 90 houve um reordenamento espacial na região metropolitana ocorrendo
um
desmembramento dos municípios limítrofes com Curitiba. Tais municípios
não possuíam um planejamento nem leis de zoneamento
e uso do solo como Curitiba, motivo este que decorreu na maioria desses
imigrantes atraídos para a cidade principalmente em
busca de emprego virem a se instalar na divisa da capital com os municípios
vizinhos.
Considerando que no século XXI a maioria
da população mundial estará vivendo em cidades, faz-se necessário ressaltar
que o
equilíbrio sócio ambiental depende do padrão de desenvolvimento e planejamento
atual, porque as cidades se consolidarão no
fenômeno da globalização inseridas no contexto econômico e de comunicação;
e para que tal fato ocorra, depende das ações
locais projetarem e equiparem suas cidades.
GUATTARI apud MENEZES (1996) define bem
este conceito de cidade globalizada. "Pode-se dizer que a cidade, mundo
do
capitalismo contemporâneo esta desterritorializada, que as suas diversas
partes estão dispersas sobre a superfície de um
multipolarizado rizoma urbano que engloba todo o planeta".
Segundo CARRERAS apud RODRIGUES (1996,
p. 226), as cidades tem muitas possibilidades de desenvolver estratégias
diferentes para atrair um maior fluxo de turistas. Os principais fatores
para esta atração podem resumir-se nos seguintes:
- as atuais infra estruturas urbanas
como aeroporto, autopistas, trens de alta velocidade e similares.
- concentração de recursos comerciais
e de hospedagem como hotéis, campings e apartamentos, centros e áreas
comerciais,
grandes armazéns, mercados populares e étnicos.
- a tradicional riqueza cultural urbana
com seus monumentos históricos e arquitetônicos, com suas paisagens
populares ou
românticas e seus grandes recursos culturais.
Além de todos estes fatores tradicionais,
cabe ressaltar outros mais recentes como feiras, exposições e congressos,
eventos
culturais e desportivos que alcançam uma grande difusão internacional.
|