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Curitiba Viável ao Turismo

Por Elizabeth Cavalcanti e Maria Fernanda Neves

O Marketing Turístico

      O turismo é um bem de consumo abstrato e não pode ser avaliado de acordo com o tamanho, peso, formato ou cor. É
apresentado aos consumidores em potencial por meio de fotos, reportagens e vídeos, induzindo o cliente a compra através de
promessas de satisfação.

      Diante da importância sócio-econômica como vimos anteriormente, o turismo moderno contribui para despertar a atenção dos
governos e também para um redimensionamento urbano. No entanto, o setor que merece atenção especial é o da divulgação do
produto, mas, que depende de muitos fatores como o produto em si (qualidade, preço, distância do polo emissor, etc ...), o
mercado (a capacidade de compra, estrutura, número de turistas reais e potenciais, o concorrente, etc...), a organização do
empreendimento receptor na boa escolha dos canais de divulgação adequados.

      Segundo o American Marketing Association, marketing é "a execução de atividades e negócios que encaminham o fluxo de
mercadorias e serviços, partindo dos produtos até os consumidores finais".

      O British Institute of Marketing define mais amplamente como "a função gerencial que organiza e direciona todas as atividades
mercadológicas envolvidas para avaliar e converter a capacidade de compra dos consumidores numa demanda efetiva para um
produto ou serviço específico, para levá-los ao consumidor final ou usuário, visando, com isto, um lucro adequado ou objetivos pela
empresa".

      Para que o produto turístico seja comercializado são necessários técnicas mercadológicas especificas, neste caso o
marketing turístico que é amplamente estudado na Europa e nos Estados Unidos e acanhadamente no Brasil. Alguns autores
citam o marketing turístico como KRIPENDORF (1997, p. 41-42) que considera as ações publicitárias e promocionais como
instrumento de marketing turístico e ressalta a necessidade das pesquisas de mercado a fim de se obterem todas as informações
de que se precisa para a tomada de decisões frente a demanda que se pretende atingir".

       Marcos Cobra e Flavio Zwarg em Marketing de Serviços (1986, p. 167), ressaltam a importância da identificação das
necessidades e desejos dos diversos segmentos do mercado, e as mais eficazes de atingi-los. Consideram a venda de serviços
turísticos como um desafio que exige, além de métodos e critérios, alguma cientificidade.

       A EMBRATUR - Empresa Brasileira de Turismo realizou pesquisas sobre o comportamento turístico das pessoas e os
resultados coincidem com os trabalhos de BACAL apud RUSCHMANN (1995), que classifica os motivos do comportamento
turístico em motivos de eficiência e de excesso que, para sua caracterização, depende de múltiplas variáveis do contexto da
situação psicológica dos indivíduos e dos estímulos específicos recebidos.

       Em seus princípios básicos, o marketing turístico não difere daquele utilizado para qualquer outra mercadoria. Somente o
aspecto humano necessita de performance melhorada porque o profissional estará negociando com pessoas que muitas vezes
planejaram viajar à anos. O cuidado que se deve ter ao atender um cliente desses é primordial porque o assento de um avião ou
uma cama de hotel, podem ser produtos individualizados para os produtores, mas, para o turista são elementos que compõem o
produto total, o pacote de viagem.

       Portanto, o profissional de turismo tem que estar atento com seus colaboradores que são os hotéis, transportadoras, agentes,
guias e outros que dão o suporte direto ao turista para que tudo o que foi prometido esteja do agrado do cliente porque o comércio
nesse ramo é de um produto abstrato, pois o cliente só poderá opinar na volta.

       Jost Kripendorf (1989) aponta algumas singularidades do produto turístico:
       a)- o consumidor não pode ver o produto antes da compra.
       b)- é impossível fornecer uma amostra ao cliente.
       c)- o produto não é transportado, quem se desloca é o consumidor.
       d)- impossibilidade de estocagem e reposição como assentos de avião, salas de convenções. Se não for ocupado no dia,
jamais poderão ser recuperados.
       e)- concentração em determinadas regiões durante temporadas (sazonalidade) como estações de esqui e outros.
       f)- instabilidade da demanda, ou seja, é difícil prever com exatidão o fluxo turístico em determinado período do ano.

       Podemos citar que o marketing é compreendido numa dimensão de gestão empresarial e no caso de marketing turístico seus
responsáveis podem ser empresas individuais envolvidas no transporte, alojamento, alimentação etc..., as instituições cooperativas
que atuam conjuntamente e o Estado que cabe à implantação de infra estrutura e legislação para a preservação do patrimônio
natural e cultural de um país.

      Como instrumentos de marketing, podemos citar que as decisões primeiramente devem recair sobre o estudo do mercado
como análise da demanda e análise da concorrência. Depois, os instrumentos de marketing analisará a política do produto, a
política dos preços, a política da distribuição, a política de comunicação que engloba promoção de vendas, relações públicas e
propaganda.

      Na política de comunicação no turismo, a OMT- Organização Mundial de Turismo sugere três metas e as respectivas
estratégias para alcançá-las:
      1)- aumentar o fluxo de turistas, é preciso persuadir o turista potencial através de ações promocionais e publicitárias.
      2)- obter a fidelidade dos turistas atuais zelando pela imagem do destino e convencendo o cliente da boa escolha e
condicionando-o para um retorno.
      3)- aumentar o tempo de permanência do turista, atualizando o turista das novas opções do destino afim de que o turista
prolongue sua estada.

      No que diz respeito às relações públicas, fica notável que é o alicerce para o desenvolvimento turístico, a começar pelas
relações internas no qual o funcionário tem de informar com a maior franqueza possível, tudo o que diz respeito a empresa,
organização e destino. Além do setor da comunidade que interessa diretamente o empreendimento, toda a comunidade de um
núcleo receptor precisa estar conscientizada para a importância do fenômeno RUSCHMANN (1995, p. 47).

      Na promoção de vendas é preciso oferecer aos funcionários salários, benefícios e ambiente compatível, porque um funcionário
bem treinado e satisfeito com sua função, proporcionará uma imagem confiável ao turista e ao relatar sua experiência, favorecerá o
retomo do mesmo e a vinda de outros clientes. Pois resumindo, o turismo é um mercado realizado de boca em boca que tem
influência direta do início (agência) até o destino escolhido.

      Mas, há outros suportes incluídos no rol do turismo como cartazes, falhas, vídeos, feiras, catálogos, jornais, revistas, mala
direta, rádio, televisão e outros. A UNESCO ao estudar a questão das viagens, aponta que cerca de 70% da escolha, foi resultante
da indicação favorável de pessoas que já estiveram. no local.

      "Apesar dos fluxos turísticos serem influenciados por inúmeros fatores econômicos, legais, sociais, psicológicos, políticos,
etc. ., que nem sempre podem ser medidos, o controle da eficácia da propaganda turística DEVE SER REALIZADO tanto no nível
local como a nível regional ou nacional e, seus responsáveis devem ser necessariamente especialistas na área, seja o controle
empreendido por órgãos públicos ou pelas empresas privadas que investiram na divulgação" diz RUSCHMANN (1995, p. 81)

       Ou seja, o setor turístico antes de comercializar qualquer serviço, deve ter um respaldo por especialistas na área. Estudos
devem ser elaborados por estes profissionais que direcionarão o pacote para os clientes certos, através dos meios mais eficazes.
Além de preparar o funcionário que manterá o contato com o cliente interessado e fazê-lo crer que ao retornar seu investimento foi
compensatório.

      A cidade como um produto de marketing ganha notoriedade no Brasil a partir dos anos 90, o chamado city marketing é a
reorganização do espaço urbano afim de garantir aos seus habitantes boa qualidade de vida e poder concorrer com outras cidades
na atração de investimentos e atividades terciárias através dos meios de comunicação. Dá-se através de apoio às estratégias de
convencimento e marketing realimentando sempre que necessário, devido a acirrada competição entre as cidades. O chamado city
marketing provém do mecanismo institucional de promoção e venda da cidade como lugar onde se concretiza o espírito de
inovação e de onde as novidades são irradiadas. RIBEIRO E GARCIA (1996, p. 170)

      Em referência a capital do Estado do Paraná, Curitiba, os estudos procuram reconstruir os processos sociais mais concretos
para o surgimento e a fixação social das imagens síntese "cidade modelo" e "cidade planejada" nos anos 70, e na fase de
realimentação surge na década de 90 a "capital da qualidade de vida", a "capital do primeiro mundo" e a "capital ecológica".
O alcance que a cidade de Curitiba atingiu com essa positividade em meados de 90, pode ser refletida no impulso do
desenvolvimento econômico. O espaço da cidade se adaptou aos novos tempos atualizando-se nas atividades de produção e
consumo de alto padrão ganhando renome nacional e internacional.

      Como já citado, as pesquisas parecem indicar que a cidade toma uma nova forma, tornando polo de serviços de topo de
mercado. A cidade adquiriu um poder de atração em investimentos devido ao bem planejado marketing baseado na qualidade de
vida, superioridade na qualidade dos serviços e amplas opções culturais e de lazer.

      Na década de 90, grandes corporações empresariais se instalaram na cidade de Curitiba e na região metropolitana devido ao
citymarketing, e na política de globalização atual a descentralização de atividades e a estratégia da geopolítica é fundamental para
o empresariado. A cidade é considerada a "esquina do Mercosul", portanto próximo dos grandes centros urbanos e de consumo
nacional e internacional. Curitiba consegue esta posição, também por apresentar uma imagem positiva de bons serviços em
comunicações e transportes, que atualmente no mundo é a base principal para se manter atuante.

      O Governo Estadual coloca em prática a chamada intermodalidade, ou seja, a combinação de rodovias, ferrovias, portos e
aeroportos. (Revista Amanhã, 06/98). A inovação e a ousadia tomam conta da cidade, pois, a cada novo projeto, os estudos para o
lançamento de qualquer obra são minuciosamente estratégicos. Nos anos de 91 e 92, Curitiba tornou-se meta para os planejadores
urbanos, ambientalistas e líderes municipais que visitaram a cidade para conhecer as soluções encontradas. Pois, os novos
espaços estavam relacionados às atividades de lazer e cultura e a modernização do espaço privilegia a ética e a estética do lazer
na cidade. GARCIA (1996, p. 86-87).

      Hoje os marcos existentes na cidade mostra uma nova Geografia dentro dos limites da cidade. Monumentos estes que fazem
parte do roteiro turístico obrigatório para qualquer visitante (anexos 2 e 3). A modernidade e homogeneidade dada a esses pontos
turístico, mostra a nova arquitetura com imagem futurista, auxiliado pelos materiais e formas transparentes e tubulares em sua
maioria. A presença européia na composição social da cidade civilizada, onde sempre houve por intermédio delas, tradição de
trabalho, ordem e progresso social contribuíram para uma sintonia entre governo e população. O projeto modernizador esta voltado
para a satisfação dos anseios de consumo material e simbólico da classe média, relativo aos padrões de vida externos ao país.

      Curitiba e Fortaleza são atualmente os ícones do chamado city-marketing no Brasil, suas particularidades estão nos diferentes
meios de atrair os turistas. Curitiba se converte em atratividade para a contemplação, quer dizer, o turista chega para ver as
soluções urbanísticas criativas, a funcionalidade, fatores estes com forte apelo estético que faz do turista um espectador. Já
Fortaleza atrai pela sociabilidade agradável, cordial e hospitaleira que seu povo oferece fazendo com que o turista seja um ator no
cenário da cidade juntamente com sua população. BENEVIDES (1998. p. 97-99).

      Assim sendo a mídia força no papel de articulador e agregador da cidade, tornando a evolução do produto numa crescente
espetacularização da vida urbana. As mudanças são muito velozes determinando e internacionalizando a qualificação do lazer. "O
lugar se define como funcionalização do mundo e é por ele que o mundo é percebido empiricamente". (Milton Santos, 1994).