Histórico de Curitiba
Como mostra a ata, em 29 de março de 1693 era fundada, seguindo
as exigências da Legislação portuguesa, a Vila de Nossa
Senhora da Luz e Bom Jesus do Pinhais. Uma pequena capela, na região
da Praça Tiradentes, foi o local onde o Capitão -
Povoador Matheus Matins Leme promoveu a eleição da Câmara de Vereadores
e a instalação da Vila, respondendo aos apelos da
população que pedia "paz, quietação e bem comum". Ao redor disse pequeno
povoado central cresceria Curitiba.
Já com uma população de 1.400 habitantes,
a pequena vila receberia em 1721 a visita do "Ouvidor Raphael Pires
Pardinho
(Ouvidor: Figura pública responsável pela fiscalização da aplicação,
da legislação portuguesa nas cidades ou vilas da colônia,
podendo ser nomeado pelo rei ou pelo donatário) que chegava para definir
as primeiras posturas para cidade e seus cidadãos.
Entre as exigências para região central, estava a de os moradores limpassem
todos os anos o "Ribeiro" (Rio Belém) para evitar o
banhado que se formava em frente a Igreja Matriz. Outra solicitação
era de que as novas casas continuassem nas ruas que
"estivessem principiadas para que os habitantes tivessem vizinhos em
caso de necessidade e a vila crescesse uniformemente".
O que hoje para nós é o centro de Curitiba, para os curitibanos do século
XVIII era uma pequena vila com pouco comércio e casa
simples.
O que hoje para nós são os bairros de
Curitiba, para os curitibanos da época eram terras inabitadas ou fazendas
afastadas de
onde se tirava através da agricultura e da pecuária o "pão do dia-a-dia".
Apesar de pobre e pequena, a região central já recebia
alguns cuidados urbanísticos. Em 14 de junho de 1783, como mostra a
ata português arcaico, a câmara exigia dos moradores do
Rocio (região que demarcava os limites da vila), cuidados que "formozeassem"
o aspecto público da cidade. Já no século seguinte,
Curitiba receberia a visita do naturista francês Auguste de Sainte Hilaire,
que o descreveria como uma cidade quase circular, com
casas pequenas e ruas largas. Curitiba ainda era ponto de passagem para
tropeiros, crescia no ritmo do rendoso comércio da erva-
mate e as mudanças e o crescimento da região central se expressavam
nos documentos da Câmara de Vereadores.
Em 09 de janeiro de 1839, a Câmara discutia
a desapropriação da casa de D. Maria Rosa da Paixão para abertura de
uma rua
que se comunicasse com a Rua das Flores. Tratava-se da "construção"
da São José, hoje Avenida Marechal Floriano Peixoto...
Em 17 de janeiro de 1840, os vereadores deliberavam sobre o calçamento
da Rua do Jogo da Bola, atual Dr. Muricy, e eram
comunicados sobre o inicio das obras de restauração da Igreja Matriz.
No dia 05 de fevereiro de 1842, a vila seria elevada à
categoria de cidade. Em 19 de dezembro de 1853, era instalado a Província
do Paraná, e Curitiba com 5.819 habitantes, 308
casas e 30 lampiões de iluminação pública alimentados a azeite de peixe
logo seria levada à categoria de Capital da Província.
A sede do governo ficava na esquina d
Rua das Flores com a Barão do Rio Branco. A mudança exigiu uma estrutura
que
suportasse as novas responsabilidades. Em 1854, no prédio n.º 08 da
Rua das Flores surgia o "Dezenove de Dezembro", primeiro
jornal curitibano. Em 1855, chegava a Curitiba o engenheiro Pierre Taulois
propondo a modificação de algumas ruas da região
central já que somente à atual Dr. Muricy e a Marechal Deodoro se cortavam.
O resultado de tais mudanças seria uma cidade com
forma regular, quadrilátera e cruzamentos em ângulos retos. Homens cavalgando,
vacas pastando, muitas de madeira e algumas
de alvenaria. Assim o pintor Hubental retratou, da região do Alto da
Glória, "o centro" em 1888. Apesar do aspecto rural, Curitiba
continuava tratando de seu "urbanismo".
Trinta anos antes, em 1858, o Jornal
Dezenove de Dezembro noticiava que o engenheiro Frederico Hégrevile
estava autorizado
a desenvolver seu projeto de reforma para região central " desde que
não fossem alterados os terrenos dos edifícios públicos e da
praça do quartel". Em 10 de maio 1886, Curitiba ganhava o Passeio Público,
seu primeiro parque e sua primeira grande obra de
saneamento com a transformação do banhado do Rio Belém em área de lazer.
Os "barões da erva-mate" dominaram a
Curitiba do final do século XVIII e início do século XIX. Os portugueses
também eram
os tropeiros responsáveis por um forte ciclo econômico. Condutores de
gado entre via-mão, no Rio Grande do Sul e a Feira de
Sorocaba, em São Paulo, eles implantaram costumes, abriram caminhos,
fundaram povoados. Curitiba, em seu contorno atual,
não estava na rota da tropas, mas era ponto de comércio e abastecimento
dos fazendeiros. O ciclo tropeiro, que se estendeu por
mais de um século, deu à cidade a força política para se tornar sede
da 5ª Comarca de São Paulo (1812) e Capital (1842).
Ao garimpo e às tropas seguiu-se a erva-mate,
convivendo com a madeira. A erva-mate nativa, primeiro apenas extraída,
acabou gerando um ciclo econômico forte quando começou a ser beneficiada
no próprio Paraná. Surgiram os engenhos e os seus
senhores, os chamados "Barões da erva-mate", que residiam em Curitiba.
Da passagem do século XIX para o século XX e até as
primeiras décadas deste, a cidade viveu com alguns engenhos e de muitas
mansões, caracterizando os hoje bairros Alto da Glória
e Batel.
Erva-mate e madeira, transportadas e
exportadas em barcaças por via fluvial, ganharam poderoso impulso com
a construção
da Estrada de Ferro Paranaguá - Curitiba, talvez a maior obra de engenharia
local, feita em cinco anos (1880-1885). Em sua
construção, já foi fundamental a presença dos imigrantes europeus.
Os primeiros imigrantes chegados a Curitiba
foram os alemães. Em 1829 se instalaram em Rio Negro vinte famílias.
Um casal
Michael Müller e Ana Krantz, reemigrou espontaneamente e se fixou em
Curitiba em 1833. Mais urbanos que os demais europeus
que vieram "fazer a América" em Curitiba, os alemães acabaram dominando
o hoje Setor Histórico, onde se vê um exemplar
arquitetônico, no luso-brasileiro, a Casa Romário Martins, sozinho entre
sobrados de inspiração germânica.
Os primeiros poloneses chegaram em 1871.
Uma idéia de sua contribuição pode ser vista no museu ao ar livre do
Bosque do
Papa. As casas em troncos encaixados, a pipa de azedar repolho, o arado,
a carroça de toldo e a profunda fé na Virgem Negra de
Czestochova são características da etnia que se ligou ao mundo o primeiro
Papa do Leste.
A colônia italiana se estabeleceu a partir
dos vêvetos e trentinos vindo no navio Sulis e que, inadaptados no Litoral,
criaram em
1878 o bairro curitibano de Santa Felicidade, com terras compradas a
Felicidade Borges e seus irmãos. Curitiba ganhou igreja de
torre separada da nave, sobrados com varandas, uma culinária que fez
do bairro o maior centro gastronômico da cidade, canto,
dança, jogos como bocha, mora e tresette e a latina alegria de viver.
Em 1895, os ucranianos começaram a se
estabelecer no "Campo da Galicia", em torno da hoje Praça 23 de Março
em direção
ao Bairro do Bigorrilho. A mostra de sua contribuição está exposta no
Parque Ucraniano. Pêssankas de Páscoa (e na Ucrânia, de
saudação à primavera) pintadas em filigranas, panos bordados com ciência
e paciência, igrejas com cúpulas em forma de bulbos
de cebola, novas culturas agrícolas, ícones esplendorosos, música e
danças folclóricas onde os pés mal tocam o chão: tradições
muito antigas que se perpetuaram na nova terra.
A vinda dos imigrantes contribuiu para
uma diversificação dos interesses da população tradicional. Democratizou-se
a terra,
com a introdução de pequenas propriedades fechadas por cercas; adotou-se
o arado; surgiu a moageira, para novas culturas como
cevada e trigo mourisco. Principalmente, criou-se uma mentalidade sindical
e cooperativista. A associatividade e o espírito
empresarial dos imigrantes, induziram à formação, nos centros urbanos,
de uma classe média capaz de poupar e investir.
Aos imigrantes seguiram-se os migrantes,
atraídos pelo irrestível apelo da cidade contraposta ao campo. O maior
contingente
chegou a Curitiba já na Segunda metade deste século XX, especialmente
na década de 70, pela mecanização e diversificação da
agricultura. Hoje, em qualquer esquina de Curitiba, o nativo sotaque
que leitE quentE se mistura a cadências ritmadas que vão do
Oiapoque ao Chuí. Para acolher tanta gente, o nome do segredo é oportunidade.
Algo que só se cria a partir de um planejamento
urbano global. E aí começa a história urbana de Curitiba, com soluções
locais que colocaram a cidade em posição privilegiada no
mapa do Brasil e do mundo.
O Paraná se tornou província independente
de São Paulo em 1853. Da série de exigências imperiais para transformação
político-administrativa, estavam previstas obras na capital, Curitiba.
Em 1913 a Curitiba que se transformava assistia impressionada
ao processo de urbanização, à expansão da técnica, da máquina, da velocidade
do saber. Os bondes elétricos chegavam à
Rua XV de Novembro, e o arquiteto Cândido Ferreira de Abreu, prefeito
recém eleito, dava início a uma série de reformas que
pavimentariam com paralelepípedos todo o centro da cidade e alargariam
as ruas XV de Novembro e Barão do Rio Branco.
Segundo o censo, em 1920 Curitiba já
estava com 78.986 habitantes, 11.819 prédios e 11.609 domicílios. As
maravilhas da
mecânica invadiam a cidade. Nas casas ouvia-se música no gramofone.
O Brasil passava por profundas mudanças políticas. A
revolução de 30, apoiada nos setores urbanos, trazia ao país a forte
idéia da industrialização. No dia 21 de outubro de 1930, o
Jornal Gazeta do Povo noticiava a chegada de tais ideais a Curitiba.
"Ditador" para alguns, "pais dos pobres"
para outros, no dia 20 de outubro Getúlio Vargas saldava os curitibanos
no alto da
sacada do Palácio Rio Branco (atual número 395 da Rua Barão do Rio Branco).
A multidão vibrante ouviu a saudação: "Salve
Paraná, terra jovem e vigorosa, cujos filhos derramavam na fronteira
de São Paulo o sangue generoso pela Redenção da
República". O retrato de uma cidade é sua própria gente, revelada no
cotidiano urbano, flagrada na sua essência mais cara, que
é o jeito de ser, agir, sorrir.
Curitiba é verde, em paz com a natureza.
Com o ar poético de quem vive nas alturas, a quase 1.000 metros do nível
do mar, e
limpo, produto de rígida legislação anti-poluitiva e os estímulo ao
verde, esta cidade de muitas faces encara o futuro sem medo.
Tem o aprendizado de três séculos e multiplicidades de sotaques e culturas.
São pedaços de várias terras do mundo, parte em um
caleidoscópio humano.
No pé da Serra do Mar, grudada no litoral,
quase sempre úmida, limpa, florida, algumas vezes branca de neve, louca
de frio; às
vezes plena de sol, cinza ou iluminada, em posição geográfica privilegiada,
no centro dos principais eixos rodoviários do Sul do
País, a capital paranaense, transpira vida. São quase 2 milhões de habitantes
na região metropolitana, sobre o tapete urbano, o
barro preto, de onde cresceram a madeira, a erva-mate, as indústrias,
os ciclos econômicos, enfim. Barro do planalto onde a
gralha azul semeou o pinheiro (árvores totêmica do Paraná) e o nome
desta cidade: "Coré-Etuba" (muito pinhão), diziam os índios
Tupi-Guarani, Jê e Tingui, ao se referirem ao lugar onde, sob as bençãos
da Nossa Senhora da Luz, nasceu e cresceu Curitiba.
Cresceu e virou exemplo ecológico. Ilha
de concreto, cercada de verde por todos os lados, ganhou vários prêmios
internacionais pela conservação do meio ambiente. Só com um programa
de separação de lixo (e a consequente reciclagem de
papel), poupa mil árvores por dia. Cada um de seus habitantes tem 52
metros quadrados de área verde, um dos melhores índices
para cidades com mais de um milhão de pessoas. Quatorze grandes parques,
mais de 1.000 praças, jardins públicos e terrenos
particulares somam 65.000.000 de metros quadrados de área verde urbana.
A cidade é um jardim. As calçadas desde as mais
largas às mais acanhadas, em bairros centrais ou periféricos, são bem
cuidadas, feito canteiros além e aquém dos muros e
cercas. No Parque Regional do Iguaçu, o maior parque urbano do Brasil,
com seus 8.000.000 de metros quadrados, animais soltos
em grandes extensões, pesqueiros, pomares, áreas esportivas e outras
essencialmente ambientais. Ou nos parques Barreirinha,
João Paulo II, São Lourenço, Barigui, Passeio Público, cheiros e sentimentos
que misturam pessoas, árvores, riachos, animais,
paixões, desejos, emoções, espaços, personagens, a magia da vida. Curitiba
tem conduta ecológica.
Em Curitiba, o turismo está ligado à
história, à cultura e a ecologia. A cidade nasceu oficialmente em 29
de março de 1693.
Foi indígena e portuguesa no século XVII; foi "tropeira" nos anos 1700
e foi européia a partir do século XIX, com as imigrações em
massa. As mais significativas foram, por ordem de chegada as alemã,
a polonesa, a italiana e a ucraniana. Com o tempo, Curitiba
se modernizou. Neste século adotou o planejamento global. Primeiro foi
o Plano Agache (1943), depois com o Plano Diretor (1965)
aplicado a partir de 1971, com serviços e funções integradas.
Curitiba organizou sua estrutura viária,
disciplinar a ocupação do solo, montou um sistema eficiente de transporte
coletivo
(modelo para o Brasil e para outros países), implementou um grande programa
de proteção ao meio ambiente e atingiu níveis
invejáveis de qualidade de vida. A cidade promoveu quatro grandes transformações:
urbana, cultural, ambiental e econômica. E
mais recentemente agregou a transformação turística.
O planejamento global ligou a Curitiba
importantes espaços de cultura, lazer, meio ambiente e transporte, que
compuseram
um acervo de interesse turístico, como a Ópera de Arame, o Jardim Botânico,
a Universidade Livre do Meio Ambiente, a Rua 24
Horas, os Ônibus Ligeirinho e Biarticulado, com suas estações de vidro
e metal, o Farol do Saber, a Biblioteca Modular, que se
multiplica pelos bairros, acoplados a postos de guarda que sinalizam
a pintura pela via do conhecimento, com 5.000 cada uma.
Hoje, Curitiba é uma cidade de comércio, serviços e tecnologia, com
crescente industrialização e planejamento. Tem programas
sociais e uma qualidade de vida reconhecida em todo o país e no exterior.
Com pouco mais de trezentos anos, Curitiba
tem o dinamismo a beleza e o colorido da juventude. A preservação do
meio
ambiente, jardins floridos e bem cuidados, edifícios históricos em contraste
coma moderna e arrojada arquitetura e um cinto verde
de amplos e belíssimos parques que encantam aos milhares de visitantes
que permanentemente chegam a esta cidade,
maravilhando-se com o que constitui uma das melhores qualidades do urbanismo:
planejamento. Além disso, Curitiba é uma ótima
opção para sediar eventos de qualquer âmbito. Com bem equipada rede
de apoio, hotelaria de categoria internacional, centro de
convenções e um dos mais modernos aeroportos do Brasil, chegar nunca
foi tão fácil...ficar também.
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