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Fotos e Rumos – Quando foram os
seus primeiros passos rumo a fotografia?
Inge Schloemp – Minhas primeiras
fotos tirei com uma tekinha quando tinha uns 12 anos.
Fotos e Rumos – Por que escolheu
a fotografia como profissão?
Inge Schloemp – Sempre gostei
de fotografia. Via as fotos de meu pai, de suas viajens pela Europa,
de quando morávamos
lá na minha tenra infância, e ficava fascinada com aqueles quadrinhos
na maioria das vezes em preto e branco e alguns slides
de cidades, casas e paisagens. Depois, quando viemos ao Brasil, ele
assinou durante cerca de 20 anos a National Geographic
americana e via aquelas imagens deslumbrantes de animais, pessoas, plantas
e mais paisagens de viajens a lugares longínguos
e sonhava em poder viajar e ser uma fotógrafa também. Foi uma boa escola.
Depois tive permissão para usar a máquina dele,
uma Voightlaender hoje com 34 anos, que eu ainda adoro. Quando me sinto
inspirada, sempre em um lugar cheio de natureza,
tiro umas fotos.
Fotos e Rumos –- Em qual área
da fotografia você se relaciona?
Inge Schloemp – Minha área de
atuação, se quisermos falar de fotografia, é o que chamo de periférica.
Dou apoio a
fotógrafos profissionais e amadores ou mesmo quem não tem uma câmera,
pois pego suas fotos e transformo numa coisa
melhor, melhorada, aperfeiçoada e consertada.
Fotos e Rumos – O que você
tira de bom na convivência com fotógrafos profissionais?
Inge Schloemp – O meu lado técnico
está se desenvolvendo na convivência com outros fotógrafos profissionais,
em geral
clientes, que me ensinam a ler a foto (enquadramento, cores, iluminação
etc.). Tudo que preciso para fazer a foto retocada ou
restaurada parecer o mais real possível. Ver remendo é horrível. Sou
muito rigorosa com isso.
Fotos e Rumos – O que a motivou
a trabalhar com manipulação de imagens?
Inge Schloemp – Há alguns
anos, vi que o mercado carecia desse tipo de profissional que pudesse
trabalhar com o fotógrafo
fazendo manipulação de imagens. É um mercado muito difícil, pois os
custos são altos. O equipamento bom é muito caro e os
trabalhos levam muito tempo para serem feitos. Às vezes fico vários
dias trabalhando numa foto e nem posso cobrar por hora, pois
se tornaria inviável. Os clientes relutam muito quando recebem qualquer
tipo de orçamento. Acham que é como apertar um botão.
Dizem: "computador hoje em dia faz qualquer coisa".
Fotos e Rumos –- Conta para a
gente alguma curiosidade quando você estava trabalhando:
Inge Schloemp – Geralmente recebo
as fotos mais podres para consertar. Como meu preço é relativamente
mais barato que
a concorrência, acabo ficando com os mais pão-duros. Houve o caso de
uma foto de meio quadro de slide que parecia que tinha
sido guardada numa caixa de ferramentas, que consertei e parece quase
um milagre. Gosto de como as fotos levam nossa
imaginação. Faço retoque para que quem tenha pedido o trabalho possa
enganar quem está vendo o resultado pronto. Certa vez
tive de fazer uma montagem de 2 fotos. O homem havia sido assassinado
e a mãe dele queria ter uma foto dele com o neto. Então
uni os dois).
Fotos e Rumos – Qual é a maior dificuldade que um profissional, na sua área, encontra para começar a carreira?
Inge Schloemp –Dinheiro. Para começar profissionalmente na minha área, o maior problema é encontrar equipamento
profissional ou semiprofissional bom que se possa comprar a um preço bom. Os softwares oficiais são caríssimos e o que se
paga por um trabalho desses é quase ridículo. Deste modo demora muito para se recuperar o dinheiro pago pelo equipamento.
Para quem não tem contato direto com quem faça este tipo de trabalho regularmente ou não tenha uma fonte de renda paralela
, não recomendo comprar o equipamento a prazo. E para mim é um vício. Quando começo a trabalhar numa foto, é difícil parar.
O problema é que ficar olhando para o monitor durante horas faz um mal horrível para a vista.
Fotos e Rumos – No que se resume a fotografia para você?
Inge Schloemp – Fotografia para mim é o congelamento de um momento. Fica a imagem para quem vê e a lembrança para
quem tira a foto. Esse é o meu trabalho: reviver as lembranças das pessoas. Eu faço restaurações de fotos antigas e estragadas
para que elas possam relembrar do assunto ou do momento em que ele foi registrado.
Fotos e Rumos –- Qual a sua dica para os iniciantes?
Inge Schloemp – Sugiro que eles tentem fazer estágios, conheçam pessoas, façam cursos, leiam BASTAAAANTE
revistas da área gráfica, para terem certeza do que vão fazer. Para trabalhar nesta área, além de criatividade, é muito
importante tem MUUUUITA paciência. Ser detalhista e nocões de fotografia ajudam bastante.
Fotos e Rumos –- Quais são os fotógrafos e revistas que você mais aprecia?
Inge Schloemp – Meus fotógrafos preferidos? Não sei nomes. A revista de que mais gosto das fotos, como já disse, é a
National Geographic americana, Terra e Photo & Câmera brasileiras. Me inspiram para fotografar, pois gosto muito de foto de
natureza.
Fotos e Rumos – Quais são os seus planos para o futuro?
Inge Schloemp – No futuro pretendo me aprofundar mais nessa área de imagens, pois trabalhar com restauração é o que
mais gosto. Ver uma foto ressuscitando, rejuvenescendo é lindo. Gostaria de cotactar algum museu, ou mesmo aluma empresa
antiga e fazer um monte de painéis mostrando a história do seu desenvolvimento. |