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Entrevista |
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João Noronha
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FOTOS |
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Por Juliana Costa |
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Ao completar 25 anos de fotografia, o fotojornalista João Noronha, tem muita história para contar e mostrar sobre a realidade do povo brasileiro. Conheça aqui um pouco do perfil do convidado especial do último encontro sobre fotografia de 2001 promovido pelo site Fotos e Rumos, em Curitiba. |
Fotos e Rumos - Antes de tornar-se fotógrafo profissional você estava estudando arquitetura, o que te levou à mudar de planos? João Noronha - Fiz dois anos de arquitetura, mas por vias de trabalho, viagens e também pela minha aptidão pela fotografia, continuei fazendo e continuo até hoje. Estudava em uma faculdade particular, e como eu sempre morei sozinho, me sustentando, pagando aluguel, ficava um pouco complicado e a faculdade ia ficando. Tranquei a matrícula no 2º ano. Sempre tive emprego nesta área de fotojornalismo. Eu nunca cheguei a completar a faculdade, a matrícula está trancada até hoje. Fotos e Rumos - Você também trabalha com foto publicitária? João Noronha - Já trabalhei muito com foto publicitária logo que eu comecei na carreira. Trabalhava em estúdio fotográfico, foi aí que eu aprendi muito, fazendo foto publicitária, still life, embalagens, pessoas. No estúdio se tem uma noção muito clara do que é a fotografia, a melhor técnica que tem é a foto publicitária, você tem mais tempo para analisar. Já no jornalismo é o contrário, se você tem uma técnica boa em fotografia e uma certa esperteza, um certo olhar, então você pode fazer fotojornalismo, porque está é apaixonante na realidade. Fotos e Rumos - Para quais veículos você trabalha atualmente? João Noronha - Trabalho para o jornal O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. São jornais diferentes, embora do mesmo grupo Paulo Pimentel. E a linha dos dois é completamente diferente. Tem a chamada linha popular que é a Tribuna com as cenas mais violentas, crimes e esportes e o Estado do Paraná que é voltado à economia, política e assuntos gerais. Estou me dedicando bastante nesses veículos. Fotos e Rumos - Você prefere trabalhar com a máquina digital ou manual? João Noronha - Digital um sistema muito prático para jornalismo por que a gente precisa da agilidade e também o sistema analógico (com filme). No Estado do Paraná prefere-se mais o digital. Na Tribuna usa-se mais o sistema analógico, que é papel e cópia. Mas os dois se completam, o importante é a imagem. Uma imagem de tv pode ser transformada em fotografia através do sistema digital, um exemplo pode ser as torres do Word Trade Center quando foram chocadas. O importante é imagem, agora como... até o sistema de captar imagens na latinha, os processos de vidro... o sistema digital hoje realmente está se firmando, fica mais prático e rápido, o que o jornalismo precisa. Fotos e Rumos - Já pegaram algum filme teu para impedir a publicação da foto? João Noronha - Já, mais de uma vez. Uma das últimas foi essa questão da Copel, em que houve um "quebra-pau" entre os manifestantes e a polícia, eu estava bem no meio, era pedra para lá e cacetete para cá. Um policial me segurou querendo tomar o equipamento e eu consegui sair, e como a coisa continuou acontecendo consegui sair normal, fotografei e foi publicado. Em São Paulo já me tomaram um filme. Estava sozinho fotografando uma blitz, um policial percebeu e veio para o meu lado querendo levar todo o meu equipamento. Eu disse que não poderia ceder nada, o que eu poderia fazer era entregar o filme. Acabei nem entregando as fotos a ele. Puxei o filme de fora a fora, velei e entreguei. Fotos e Rumos - Você ganhou um prêmio com o tema da "Violência Urbana". Como é conviver com esse trabalho sem levar para o lado pessoal? João Noronha - Você acaba se envolvendo na realidade, se envolve na captura da imagem. Mas o fotógrafo não pode se envolver na questão quando tem violência ou brigas. Tem que deixar o sentimental de lado e ser muito racional e "frio" para poder capturar boas imagens. E nunca espere uma revanche de imediato. Tem que prever, ou seja, você está fotografando e não imagina que alguém possa te dar um soco ou jogar uma pedra, mas acontece. E já aconteceu, levei pedradas, é o risco que tem que passar. Fotos e Rumos - Qual a maior injustiça que você já fotografou? João Noronha - Prostituição infantil. É um trabalho que eu venho desenvolvendo e realmente esse é o assunto que me deixa muito chocado. Isso acontece muito no Norte e Nordeste, meninas de 11, 12 anos que as vezes são prostituídas pela própria família. Fotos e Rumos - E qual o melhor momento fotografado? João Noronha - Posso dizer que tenho vários. Um momento fotográfico foi a foto que tive uma menção honrosa, o Prêmio Vladimir Herzog esse foi um bom momento apesar da situação não ser muito agradávell. Fotos e Rumos
- Como aconteceu essa foto premiada? Fotos e Rumos
- Você fotografa tudo, e na hora de ser fotografado? |
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João Noronha Flickr: http://www.flickr.com/people/ brazilpress Sonico: http://www.sonico.com/ brazilpress My Space: http://www.myspace.com/ brazilpress |