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Entrevista com a fotógrafa

Lu Berleze

Por Juliana Costa

Criatividade é a primeira palavra que vem à mente
quando o assunto é Lu Berleze.


Apesar de ser uma pessoa totalmente zen,
diz que seu trabalho está em fase de muito "movimento".

Confira aqui um pouquinho do trabalho
desta publicitária e professora de fotografia.

 

Fotos e Rumos - A sua primeira câmera você ganhou ou comprou?
Lu Berleze - Eu ganhei de presente de Natal dos meus pais quando eu tinha 12 anos. Era uma câmera totalmente automática.
E aos 18 anos eu pedi de Natal uma câmera manual, foi então que eu comecei na fotografia. No início era somente hobby.

Fotos e Rumos - O que é um fotógrafo de publicidade?
Lu Berleze - Eu considero o fotógrafo de publicidade um técnico em fotografia. Ele tem que saber muito sobre iluminação, todos
os truques técnicos de fotografia, a escolha de filme, a fotometragem, tem que ser tudo muito apurado, isso é o essencial. Tem
que ter muita paciência, se ater aos detalhes. Dificilmente ele vai criar alguma coisa, o layout já vem pronto da agência, é só
produzir.

Fotos e Rumos - Como você foge dos modismos impostos pela mídia?
Lu Berleze - Procuro sempre coisas diferentes, trabalho mais ao ar livre, procuro temas que não tenham nada a ver com
publicidade, mas acho que a composição acaba ficando meio cartão postal.

Fotos e Rumos - Qual a função da fotografia para você?
Lu Berleze -
Ela tem mais de uma função, vai depender de como a imagem está sendo apresentada. Ela pode ter a função de
só informação, que seria no fotojornalismo, o que não deveria ser só informação, deveria também haver mais reflexão, e não só
interesse de vender o jornal. E na publicidade é basicamente chamar a atenção, atrair o olhar do consumidor. Seria informação
e atração. Já no trabalho pessoal eu acho que a função é entretenimento e reflexão, além da pessoa achar legal aquela imagem,
que ela também pare para pensar o que essa imagem representa.

Fotos e Rumos - O que dizem as suas imagens?
Lu Berleze -
Dependendo da época elas falam coisas diferentes. Ultimamente o que eu tenho feito é trabalhar com o cotidiano.
Procuro captar coisas que o teu olhar não consegue perceber no dia a dia , que depende do congelamento da imagem. Estou
trabalhando mais com o movimento da imagem, procurando mostrar os movimentos que você não percebe com o olhar natural,
somente através da câmera mesmo.

Fotos e Rumos - Pra você o que vale mais: a palavra ou a imagem?
Lu Berleze -
Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, eu não concordo totalmente. Acho que uma depende da
outra, por que se você for analisar uma imagem, vai precisar da palavra. Às vezes a imagem traz mais informação do que você
está falando. E outras vezes, por exemplo, você está lendo um livro que traz imagens, a imaginação fica limitada. Em jornalismo
por exemplo, ouvir falar é uma coisa, mas ao ver a imagem já é um outro sentimento, a imagem choca mais. É difícil separar a
palavra e a imagem totalmente uma da outra, elas andam juntas. Mas é claro, como sou fotógrafa eu acabo dando mais peso
para a imagem...

Fotos e Rumos - Existe uma diferença muito grande entre seu trabalho pessoal e profissional?
Lu Berleze -
Tem bastante diferença. Posso colocar mais de mim nas imagens, até mesmo na questão da criação.
Normalmente as minhas decisões são totalmente diferentes das que eu tenho que tomar quando estou trabalhando
profissionalmente. Principalmente a questão do movimento, que em publicidade tem que estar tudo certinho, congelado, eu já
gosto de trabalhar com o movimento, o efeito borrado. A escolha de filmes, gosto de trabalhar com ele no limite, gosto de puxar
o filme, as fotos ficam mais saturadas, as cores mais berrantes... já em publicidade tem que ser mais fiel. Quando eu tenho um
trabalho de publicidade, se eu pudesse escolher, normalmente eu faria de um jeito bem diferente.

Fotos e Rumos - E os temas? O que você mais gosta de fotografar?
Lu Berleze -
Gosto de fotografar pessoas. Já fotografei natureza, mas hoje em dia não tenho tanta paciência... e o que eu não
gosto de fotografar é foto em estúdio, que é aquela coisa tudo paradinha.

Fotos e Rumos - Qual a influência que você teve no tempo em que estudou em Santa Fé, Novo México nos EUA?
Lu Berleze-
Eu tive muita influência; totalmente. Não pelo fato de estar fora do Brasil, talvez se tivesse uma escola aqui, como
tem lá, o efeito seria o mesmo. O que influenciou muito foi que eu tinha aula de manhã, tarde e noite. Foram 5 semanas de aula
integral, e nas horas de folga acabava fotografando a cidade. Tive contato com muitos fotógrafos, instrutores, conheci vários
estilos e técnicas diferentes. Foi uma mudança radical, antes eu era bem hobby, mesmo que eu tentasse a fotografia
profissional, era hobby. Depois disso o olhar na fotografia mudou, profissionalizou.

Fotos e Rumos - Quem é o seu fotógrafo preferido, e o que ele tem de especial?
Lu Berleze -
Eu gosto muito do trabalho da Anuschka, que é minha sócia e foi minha professora também. Gosto muito do olhar
dela, a maneira em que ela vê o mundo. Isso me inspirou muito quando eu comecei a trabalhar profissionalmente. Já em técnica
gosto do Wille, ele conhece muito como técnico. Mas se fosse pra dizer um nome só, seria Anuschka.

Fotos e Rumos - Está com algum projeto no momento?
Lu Berleze -
Este ano estou fazendo mestrado, além de estar estudando a parte conceitual da fotografia. Projetos tenho vários,
mas não estou trabalhando em nenhum agora. Estou pensando em fazer um trabalho sobre Curitiba de uma forma bem diferente,
só que é uma coisa bem demorada. Mas para fevereiro tenho uma exposição sobre uma peça de teatro no Café Curaçao, em
Curitiba, que é um trabalho diferente, com bastante sombras.

Fotos e Rumos - E onde podemos conhecer um pouco mais do seu trabalho?
Lu Berleze -
Vocês podem acessar o site Espaço em Branco.

Fotos e Rumos - Quando você começou a ministrar aulas de fotografia?
Lu Berleze -
Foi em 1998. Comecei a dar aula na Tuiuiti, na PUC, no Solar do Rosário e no Espaço em Branco. Mas hoje em
dia só estou dando aula na Tuiuti, porque voltei à estudar e o tempo está meio curto.

Fotos e Rumos - Fotografia é...
Lu Berleze -
É o instante. Tem uma frase de Roland Barths que ele diz o seguinte: "Você pode repetir mecanicamente uma
foto, mas existencialmente não". É bem aquela coisa do momento mesmo, mesmo que seja aquela foto de publicidade.
Principalmente no trabalho pessoal é aquele instante. Dificilmente eu refaço alguma foto. Se não ficou bom, não tem problema,
passo pra outra.



Comentários

De: Lu Berleze

Acabei de ver a entrevista no site e achei muito legal! Obrigada pela oportunidade...