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O Mistério do Morro do Gi
Um enorme menir de 30 toneladas no litoral de
Santa Catarina desafia a imaginação de
visitantes e curiosos

Levis Litz

     Pessoas ávidas por lazer à beira-mar têm sempre em mente o lazer, o descanso e a
descontração. Mas podem acabar se confrontando com algo mais do que esperam. Podem,
mesmo sem saber, estar em contato com importantes sítios que fizeram parte significativa
do passado histórico do Brasil.
      Fortes e fortalezas, faróis e sambaquis são exemplos dos casos mais comuns.
Entretanto, há lugares e coisas que estão além do nosso conhecimento e compreensão.
      O litoral de Santa Catarina há milhares de anos, era habitado por homens primitivos e
que acabaram nos deixando diversas mensagens gravadas nas rochas.
      Encontrados em forma de arte rupestre, as mensagens têm aproximadamente três mil
anos e situam-se em quase todas a costa de Santa Catarina, desde São Francisco do Sul
até os arredores de Laguna.

                                           Frente ao desconhecido

      Com um bom roteiro na cabeça para percorrer todas as praias do Paraná e Santa
Catarina, Valesca, professora de História, e eu estávamos na antiga República Juliana, sul
do litoral catarinense, na histórica cidade de Laguna, onde já foi palco de batalhas entre
monarquistas e republicanos.
      Queríamos conhecer uma pedra que, segundo algumas pessoas, era semelhante as
pedras de Stonehenge, na Inglaterra, lugar que conhecíamos muito bem.
      Após percorrermos cerca de dez quilômetros ao norte de Laguna, chegamos numa
encosta pedregosa. E lá estava, a famosa Pedra do Frade sobre uma rocha à beira-mar.
      O menir, palavra que vem do bretão e que significa pedra longa, com aproximadamente
cinco metros de diâmetro e oito metros de altura, impressiona pelo seu porte e localização.
O mais interessante é a localização de uma pedra triangular sobre o topo. Intrigante,
contudo para nós não parecia ter ligação de qualquer tipo com o Círculo de Pedra de
Stonehenge que serve de referência ao início de cada solstício de verão e as estações do
ano.
      Entretanto, a Pedra do Frade, no Morro do Gi, que parece não ter utilidade alguma, é
instigante e curiosa.
      Há inúmeras versões e especulações do seu surgimento. Entre elas, a história de que
há muitos anos, enquanto alguns sábios meditavam naquele lugar, começou uma forte
tempestade que provocou uma espécie de avalanche de pedras que em vez de os atingirem, simplesmente pararam. Assim, elas teriam permanecido naquele local até hoje.







      Divulga-se também a idéia de que foram os fenícios que, cerca de dois mil anos antes de Cristo, a tenham colocado ali como
uma referência.
      Outra versão é que esse grande bloco de pedra estaria parcialmente oco escondendo um tesouro, colocado pelos jesuítas que ali estiveram para a catequização dos índios, no século XVII. E que a pedra triangular que se encontra no topo serviria como uma tampa. Dizem que já tentaram tirar a pedra superior, mas que ninguém obteve sucesso.
Para alguns ufólogos o Menir é considerado como uma obra dos deuses astronautas.
     Todavia, a hipótese mais aceita pelos nativos da região é que o menir tenha sido obra dos índios que habitavam na região, os
carijós. Embora não se tenha a mínima idéia porque tenham se dado a tanto trabalho.
      Para a arqueologia, a Pedra do Frade foi obra da natureza. Teriam sido pedras que rolaram de uma colina e que por acaso uma ficou em cima da outra e que com o passar dos anos foram talhadas pela erosão e ação dos ventos. Embora essa seja a teoria mais oficial, ainda não é possível comprová-la.

                                                              Mensagens de uma era muito antiga

     Os menires, palavra popularizada pelas histórias em quadrinhos de Asterix e Obelix, estão presentes nos quatro cantos do
planeta, seja em Cromeleque Almendres, em Portugal, seja na Bretanha, França ou em Stonehenge, na Grã-Bretanha.
.     O fato é que o menir brasileiro do Frade está lá, imponente e desafiador. Na falta de uma explicação mais apurada, as versões e lendas continuam fascinando a todos nós.