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ENTREVISTA COM "NATIVO"

Por Mariana Fontanelli

"As montanhas são maravilhosas. Os alpinistas é que são suicidas".

Praia Secreta - Qual o seu nome, idade e por que seu apelido é Nativo?
Nativo - Meu nome é Ronaldo Franzen, tenho 35 anos. Meu apelido é Nativo porque em 1981 eu fui acampar na Ilha do Mel com um grupo do Cefet e encontramos uns turistas que me perguntaram se eu tinha peixe para vender. A partir daí meus amigos só me chamavam de Nativo.

PS - Como você começou a praticar o montanhismo?
Nativo - Comecei por ambição jovem. Fui a primeira vez ao Marumby em 1981 com meu primo. Chegamos lá em cima e estava tudo nublado. Então eu fui de novo no outro fim de semana e pude apreciar o visual. Quando fui assinar o livro de cume, vi que existia uma reunião do Clube Paranaense de Montanhismo. Em 1982 eu comecei a participar do Clube e em 1985 dei meu primeiro curso.

PS - O que mais te marcou no montanhismo?
Nativo -
Foi o acidente que matou dois amigos meus, e eu estava junto. Depois do acidente eu decidi me dedicar totalmente ao esporte, tentando escalar pelos três. Dou cursos de prevenção de acidentes, dei curso para os bombeiros. Participei do 1º Congresso Brasileiro de Montanhismo, criando um padrão paranaense das técnicas de montanhismo. Trabalhei junto com o Clube para criar esse padrão. Dividimos em curso de iniciação ao montanhismo, que ensina tudo que uma pessoa precisa para ir à montanha sozinha, e um curso para quem já pratica o esporte mas não sabe as técnicas.

PS - Como aconteceu o acidente com seus amigos? Você acha que eles teriam sido salvos se tivessem feito um curso como os que você dá agora?
Nativo -
Faltou tempo para todo mundo estar aclimatado. Foi na parede sul, que é famosa por causa do perigo. Nós fomos para a rota normal para aclimatação para só depois entrar na parede. Desde o começo já estava definido que os três melhores aclimatados iriam subir. Depois de três dias subindo, o tempo virou. Faltava um dia para chegar ao cume e eles levariam dois dias para voltar. Eles decidiram seguir em frente mas deu uma avalanche da placa de neve que tinha acumulado durante a noite. Eles nunca tinham feito curso de escalada em gelo para prevenção. Não sabiam como reconhecer o gelo mole e o duro. Se a pessoa inicia mal, vai continuar fazendo mal até aprender, o que pode levar um tempo. Se a pessoa começa bem, desde o começo vai saber utilizar as técnicas certas para cada tipo de desafio, diminuindo os riscos de acidente.

PS - Quais seus ídolos?
Nativo -
O Waldemar Niclevicz, pelo marketing, o "Mute" (Alir Douglas), que vai participar da próxima expedição do Waldemar, a Helena Artman, o Chiquinho (José Luis Artman), Sérgio Cartari.

PS - Quais foram as suas maiores conquistas?
Nativo -
A 1ª ascensão, no Pico Paraná. São 1100 metros, passamos 17 dias trabalhando para fazer a pista. Montanha Ibitirati, Mar das Caratubas - nome da via. A Patagônia foi muito marcante também. Estive lá duas vezes escalando 23 cumes, sem patrocínio e sem compromisso. A 1ª viagem que fiz para escalar foi em 1992.

PS - O que te leva à montanha?
Nativo -
O contato com a natureza. As montanhas são fonte de água e vida. O montanhismo para mim não é apenas um desafio ou esporte, mas uma filosofia de vida.

PS - Qual foi a sua melhor experiência cultural?
Nativo -
Foi na Terra do Fogo. Estar lá e estudar a história do lugar, o porquê do nome, a população que foi dizimada... Uma produtora de Porto Alegre vai fazer um filme longa-metragem com a gente sobre a escalada do Monte Sarmiento, que fica na Patagônia. Nós fomos a 13ª expedição a se aventurar lá.

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