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Entrevista |
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Cristian Alexis Flores Parra
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Por Juliana Costa |
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Um ar descontraído, muita criatividade e um sotaque inconfundível.
Este é Cristian Alexis Parra, artista plástico que decidiu sair de Vinha del Mar, no Chile, sua terra natal, em busca de outras culturas. Desde que resolveu pegar a mochila e se aventurar pelo mundo afora, já passou pela Argentina, Bolívia, Espanha e, atualmente, está aqui no Brasil, aprendendo, dividindo e ensinando sua arte. Até quando? Nem ele mesmo sabe. |
Fotos e Rumos - O que você fazia no Chile, antes de colocar o pé na estrada? Cristian - Estudava. Estava fazendo meu secundário quando ganhei uma bolsa para estudar artes. Parei na metade do curso, já não aguentava mais. Entrei no exército e fiquei três anos trabalhando no deserto do Atacama. Me arrependi de ter deixado o curso de artes e voltei para terminar meus estudos. Quando me formei, comprei uma mochila e saí. Fotos e Rumos - Quando surgiu a idéia de pegar a mochila e viajar? Cristian - Acho que a minha cidade era um pouco injusta comigo. Eu trabalhava com muitas coisas. Fazia pintura, desenhava, trabalhos com spray e tatuagem. Estudava e não ganhava nada. Não vivia bem, não alugava uma boa casa e de vez em quando a polícia me prendia por andar bêbado na rua. Eu achava injusto isto. Saí à procura de um lugar em que eu me sentisse bem. Lá eu sentia muita agonia por causa da repressão. Eu tenho muita curiosidade, sempre gostei de conhecer lugares diferentes e fotografar. Aí, fui atrás. Fotos e Rumos - Você saiu sozinho? Cristian - Sozinho e com 15 reais no bolso quando saí para a Argentina. Na mochila, tubos de spray. Fotos e Rumos - Viajava de carro, ônibus, carona...? Cristian - Sempre viajo de ônibus a noite, evitando pagar mais uma diária de hotel. Não tenho boas recordações de pegar carona, já me assaltaram. Fotos e Rumos - E como foi isso? Cristian - Foi há muito tempo. Estava na estrada do Chile quando uma caminhonete parou, esperou eu colocar minha mochila e quando eu fui subir o motorista saiu. Caí no meio da estrada e fiquei sem nada. O jeito foi pedir de casa em casa, roupa e abrigo. Uma senhora muito simpática me deu roupas do marido que tinha falecido. Serviu direitinho. Fotos e Rumos - Onde ficava hospedado? Cristian - Hotel. No mais barato possível. Fotos e Rumos - Do que vivia? Como se virava com grana? Cristian - Trabalho com spray. Pintava na rua ao vivo. Pegava um tubo de spray, papelão e uma espátula. Jogava tinta e fazia. Grafitava em cima da folha e vendia. Fotos e Rumos - Qual o tempo de permanência em cada local? Cristian - Dependia da cidade. Mais ou menos o período de três meses. Quando enjoava da cidade, era tchau. Fotos e Rumos
- Segue algum roteiro? Fotos e Rumos
- Você acha que sua arte mudou depois que começou a viajar?
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