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O Paraná
no Caminho das Tropas


Levis Litz

     Fazer turismo no Paraná é, entre outras coisas, andar a pé na trilha do Caminho do
Itupava, na Serra do Mar, subir os 1.922 metros que levam ao Pico Paraná, apreciar os
pássaros nativos em seu habitat, explorar as cavernas escondidas nas matas, fotografar a
flora e, por fim, cavalgar onde outrora existiu a principal ligação comercial para Santa
Catarina e Rio Grande do Sul, o Caminho das Tropas.

     Passear pelo interior do Paraná e respirar o ar fresco dos Campos Gerais desperta uma
sensação de liberdade. O vento no rosto e a visão das casas antigas transportam-nos à
história do nosso próprio passado.

                                                Tropeirismo e história

      A Lapa, como Castro, Guarapuava, Tibagi e dezenas de outras cidades, nasceram e se
desenvolveram a partir de locais que serviam para pouso e pernoite dos tropeiros. Um antigo
morador da Lapa, o senhor Oswaldo Burda relembra a época em que tropeiros passavam em
frente à porta de sua casa, na atual avenida Manoel Pedro.

      As tropas, desde o século XVIII, partiam de Viamão, no Rio Grande do Sul, onde eram
criados mulas e gado. A mula era um ótimo transporte pela sua resistência e docilidade. O
gado era utilizado na produção de alimento. Sem saber ao certo se chegariam ao seu
destino devido às dificuldades da época, os tropeiros tinham de lutar contra o tempo, o
cansaço e o ataque de ladrões e índios.

      Seu destino final, depois de mais de três mil quilômetros e três meses de viagem, era
Sorocaba, em São Paulo, local das maiores feiras de animais. Muitas vezes, o percurso
também se estendia para Minas Gerais e para o nordeste, onde as mulas eram utilizadas
para o transporte de cana-de-açucar. O perfil do tropeiro era construído pela sua vida difícil e
rude. Tinha como referência sua própria palavra. Eram pessoas de confiança. A grande
maioria era homens, mas havia mulheres que acompanhavam a tropa.

                                                        Os novos tropeiros

      Enquanto alguns, no verão, buscam a praia como lazer e repouso, outros seguem em
direção oposta. São os que buscam um contato mais próximo com a natureza, sua fauna e
sua flora, em cânions, trilhas, cachoeiras e animais que ainda são encontrados em áreas
preservadas, tais como corujas, macacos, veados, papagaios, etc.

      Na região dos Campos Gerais existem, a menos de 100 quilômetros de Curitiba, várias
fazendas que operam o turismo rural. A mais conhecida delas situa-se no município de
Balsa Nova. É a Fazenda Cainã, que em tupi-guarani quer dizer "habitante do mato". Possui
um haras para a criação de cavalos da raça crioula que são utilizados em passeios. A
fazenda, que está localizada no Capão da Onça, uma das paradas dos tropeiros, também







 

opera um programa de educação ambiental para crianças. O objetivo é fazer que elas entrem em contato com a natureza e viajem
através do tempo percorrendo um trecho do Caminho do Viamão, como também era chamado.

                                                                  Aventuras na natureza

      Viver a realidade dos antigos tropeiros e cavalgar pelos exuberantes Campos Gerais, atravessar suas águas cristalinas e fazer
amigos é preservar a cultura da nossa história. Quem sabe você acaba encorajado pela beleza da região e depois daquele almoço
à moda tropeira, um churrasco de carneiro com arroz de carreteiro, senta debaixo de uma árvore, aprecia aquela paisagem formado
por campos ondulados e vales cobertos de verde e se torna um tropeiro moderno?    


Comentário:
De: Ceres Vieira

Muito legal a sua matéria sobre o Caminho das Tropas. Moro em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, e acompanho
de perto o movimento em torno desenvolvimento de um projeto chamado "Rota dos Tropeiros". Gostei muito da sua
descrição dos Campos Gerais.