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      Reflexões sobre fazer ou não fazer um curso
     

                                                           Texto de
J. S. Martins   


      É fundamental você fazer um curso. Passei a vida fazendo fotos
sofríveis, sempre achando que lendo o manual da câmera era suficiente.
Não era. Perdi oportunidades preciosas fazendo fotografias tolas.

      Durante quase 20 anos percorri episodicamente a Amazônia fazendo
fotografias ruins. Quando um editor me pediu algumas dessas fotos para
utilizar na utilização de um livro que tinha um texto meu, dei-me conta da
"porcaria" que havia feito. Fotos que ele até considerou boas, quanto a
composição, eram ruins quanto a iluminação ou foco. Joguei uma vida
fora por não ter feito essa coisa simples há 35 anos, que era ter
freqüentado um curso de fotografia para principiantes.

       Fiz isso aos 60 anos. E estou profundamente gratificado. Fiz vários
cursos: um curso introdutório com o Wanderley, no Grêmio da Escola
Politécnica da USP; a primeira e a segunda etapa do curso de iniciação
da Escola Focus, com o professor Enio Leite, um curso famoso, que fica
bem atrás da Faculdade de Direito da USP; um precioso curso de
descondicionamento do olhar com o Claudio Feijó, na Escola Imagem
+Ação; além de um curso sobre tópicos variados com a Cristina Sterling,
que é professora num dos cursos do Senac.

       Pretendo, ainda, fazer outros cursos. Fotografia tem muitos macetes,
pequenos segredos que são próprios das habilidades dos artesãos. Eles
não estão em livros nem em folhetos que acompanham câmaras. Eu lhe
sugiro com entusiasmo que faça um curso.

      Animo-me em face de casos como o de Magdalena Schwartz, que foi
aluna da Focus, e aprendeu a fotografar já com boa idade. Hoje ela já é
falecida. Vi recentemente uma exposição de suas fotos p&b no Instituto
Moreira Salles. Fiquei comovido com a sua sensibilidade e sua
competência fotográfica.