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Reportagem Fotográfica
Levis Litz
Cenas
desoladoras, lances de futebol, detalhes de rostos, violência
urbana,
acontecimentos sociais, estes são alguns aspectos do dia-a-dia
enfrentado pelo
repórter fotográfico. O ambiente em que ele trabalha,
até mesmo são mostradas
pelas fotos que chegam aos jornais, revistas e exposições
fotográficas.
O
esforço de captar uma imagem que traduza os fatos tem início
quando o
pauteiro, aquele que rege suas andanças ou mesmo a sensibilidade
do próprio
fotógrafo, que obedecendo a um impulso pessoal, busca colocar
em prática,
em forma de trabalho, aquilo que ele sabe fazer melhor.
Algumas
de suas visões particulares sobre uma documentação
fotográfica
resultam, depois de reunidas todas as fotografias do seu acervo, em
uma
exposição aberta ao público, abre-se mais uma janela
para realidade.
Numa
primeira relação com a reportagem fotográfica no
campo social,
emerge, no fotógrafo, a necessidade de aprofundar o seu trabalho,
de se
aproximar das pessoas. A emoção forte de entrar em contato
com elas,
descobrir seus anseios mais profundos revelados pela intimidade do olhar,
muitas vezes, atônitos, clamando por justiça, solidariedade
ou até mesmo,
por esperança, tornam o repórter fotográfico numa
testemunha ocular de uma
realidade, muitas vezes, conscientemente ignorada pela nossa sociedade.
O
profissional sabe que cada imagem traduz uma realidade parcial, não
traz todos ingredientes que a compõe. Mesmo um olhar triste ou
alegre não dá
a dimensão de sua dor ou felicidade, apenas incita. Entretanto
para o fotógrafo,
os primeiros cliques de sua câmera não escondem a emoção
do contato, da
descoberta daquelas pessoas simples que, à sua frente, se preocupam
com
a aparência pessoal e de seus pertences.
Não
é raro o momento em que o repórter sensibiliza-se com
a realidade
dura de um país como o Brasil. O contato com o cotidiano torna-se
um momento
de transformação do próprio fotógrafo.
Entre a dualidade de emoções,
o repórter fotográfico, pode estar acostumado
com as turbulências de um país instável, mas,certamente,
não concorda com
o que registra. Ele não faz história, apenas a registra
e a compartilha com seus
semelhantesna tentativa de mostrar com os seus trabalhos o mundo real
que
cerca a todos.
Ser
fotojornalista é poder cobrir situações do cotidiano
e também captar
imagens de pessoas que são constantemente marginalizadas devido
a
inúmeros fatores – pobreza, cor, regionalismo, aparência
etc. São momentos
difíceis, mas dolorosamente necessários para que se cumpra
a natureza do
seu objetivo: tirar do descaso a falta de solidariedade entre as pessoas.
Quando
este tipo de imagem é publicado, torna-se eternizada pelo talento
do repórter fotográfico. Serve como um ponto de referência
para relembrar dos
acontecimentos que a envolveram. Por sorte, tocaria os corações
daqueles
tão distantes – física, financeira, política e
emocionalmente – do palco dos tristes
acontecimentos onde eles mesmos são reconhecidos como autores. |
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