São
Lourenço do Sul e o Mar de Dentro
Belos recantos banhados por águas doces
LL
Acampados
numa das margens dos 250 quilômetros de extensão da Lagoa dos Patos,
no Rio Grande do Sul, Valesca e eu conhecemos São Lourenço do Sul, uma
cidade bem
organizada, com quarenta mil habitantes e ótima infra-estrutura - um
paraíso de belas praias
e centenárias figueiras.
Resolvemos conhecer esse lugar depois
que cruzamos, na Reserva do Taim, com um
advogado motociclista de São Paulo, que viajava em sentido contrário.
Ele nos falou tão bem
do local que resolvemos averiguar.
Ao entrarmos na cidade de motocicleta,
rapidamente percebemos que suas ruas eram
de paralelepípedos, repletas de casas de veraneio e sobrados com arquitetura
portuguesa
que se misturavam com as construções em estilo alemão. As placas do
comércio exibiam
nomes, ou melhor, sobrenomes típicos alemães, dos descendentes que por
ali viviam:
Churrascaria Fischer, Restaurante Hübner, Imobiliária Neutzling.
Ao visitarmos a redação do jornal local "O Lourenciano", o diretor,
David Morisse Baini,
muito prestativo, nos contou um pouco sobre a história da cidade; mais
tarde soubemos que
ele publicou uma matéria sobre nossa passagem por São Lourenço e a viagem
que
estávamos fazendo pela região sul.
Uma
ponte para o novo mundo
Antigo ponto de parada dos veleiros de
carga, São Lourenço do Sul, deixou de ser vila
em 1938 quando tornou-se cidade. Palco de eventos importantes na história
do país quando,
no século XVIII, a Coroa Portuguesa distribuiu sesmarias - lotes de
terras - aos primeiros
portugueses que ali se instalaram. Num período conturbado e conflituoso,
em 1842, os
rebeldes farroupilhas, comandados por Manuel Lucas de Oliveira, derrotaram
as forças da
monarquia que estavam, na época, sob o comando de Francisco Pedro de
Abreu.
A colonização alemã na região deu-se
16 anos mais tarde, em 1858, com um contrato
comercial assinado pelo coronel José Antônio de Oliveira Guimarães e
o prussiano Jacob
Rheingantz. Durante muitos anos tornou-se porta de entrada aos imigrantes
europeus.
Entretanto, nos dias de hoje, acolhe e fascina os turistas que invadem
suas praias,
especialmente no verão.
O encanto das águas doces
Com várias prainhas para os viajantes brasileiros, argentinos e uruguaios se deliciarem, o Camping Municipal é banhado pelaságuas doces da Lagoa dos Patos - antigamente chamada pelos pescadores de Mar de Dentro. O camping estende-se pela costa
da lagoa por centenas de metros com areia fina e águas calmas. Em seu interior, um supermercado, diversas quadras de vôlei, um
barracão para shows e muitas árvores que produzem uma sombra refrescante.
Ecologicamente correta, São Lourenço respeita a natureza, protege suas árvores e cuida das flores. Possui três praias: Ondinas,
a dois quilômetros do centro - de águas rasas e calmas, é conhecida como praia das crianças; Nereidas - que abriga o tradicional
Hotel Figueiras, também é conhecida como a praia do hotel e Barrinha - a mais popular, onde há campeonatos de jet-ski e vela que
dão origem a um cenário fantástico para aqueles que estão por perto. Em algumas partes da areia há uma interessante formação
rochosa, a Pedra Mole, lembrando a superfície da lua. Pode-se apreciar tudo isso do calçadão, enfeitado com palmeiras e figueiras,
que se entende por mais de 900 metros ao longo da praia.
O Iate Clube da cidade, que também possui um camping, é um ponto de referência para os navegadores. Todos os anos os
velejadores de outros mares aportam na entrada dos 34 quilômetros do Arroio São Lourenço para o "Encontro Internacional de Vela"-
data em que confraternizam e trocam experiências.
São Lourenço, a 196 quilômetros de Porto Alegre, é uma cidade admirável e que vale a pena conhecer. Não é preciso muito
esforço para chegar até o ponto de encontro da cidade com aquelas tranqüilas águas do Mar de Dentro e de lá apreciar de camarote
o maior espetáculo da terra - o pôr-do-sol. |