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Sea Shepherd Brasil

Diário de Bordo
MV Farley Mowat
Sea Shepherd Conservation Society

Auckland, Novembro de 2002.

Hoje é o nosso segundo dia à bordo do lendário navio da Sea Shepherd, o Farley Mowat.

O trabalho comecou logo cedo quando o capitão Paul Watson chegou de seu vôo procedente de Malibu, na Califórnia.

Basicamente, nosso trabalho consiste em preparar a embarcação para a longa viagem rumo ao sul do planeta.

No momento, estamos em 33 voluntários. Ainda faltam outros 13, sendo que 8 são a equipe de mídia que estará documentando a campanha. Desses, dois sao do Brasil (Revista Super Interessante), um da Inglaterra (BBC) e cinco da Franca (Galatee Films).

Na última Sexta feira, o primeiro ministro neozolandês, preocupado com a "perigosa" tripulação da Sea Shepherd em Auckland, enviou duas viaturas com policiais, cachorros e equipamentos para detecção de armamento pesado. O motivo da visita foi o ruido que se espalha pela cidade de que uma ONG eco-terrorista estaria colocando em risco a vida dos moradores da região. Os policiais estavam munidos de um mandato para vistoriar as dependencias do navio a procura de armamento pesado.

Toda a tripulação foi obrigada a levar suas malas ate o convés, enquanto que os cachorros farejavam a procura de algo suspeito.

A Sea Shepherd possui um torpedo a bordo, dois canhões, e algumas municões sem poder de fogo. São utensílios que servem mais para amendrotar do que para atacar.

A investigação foi finalizada e, logo depois, os policiais ja estavam simpáticos a causa, tomando café e comendo biscoito no refeitorio do Farley Mowat. Que alivio!

Os esforcos para a preparação do Farley Mowat consistem em pintar as partes enferrujadas ou desgastadas pela ação do tempo. Alem disso, estamos consertando e testando alguns equipamentos de seguranca que podem vir a ser uteis durante a campanha, entre estes, jatos d'agua, megafones, sistemas de comunicação, radares, telescopios, etc.

Para a nossa surpresa, descobrimos que a frota japonesa alterou sua rota. Eles não mais estarão no Extremo Sul do Oceano Índico, mas sim logo abaixo da Nova Zelandia. Isso é o que se espera.

Descobrimos também quais são os navios que estarão cacando baleias, bem como, detalhes sobre os mesmos e suas pretenções.

Abaixo esta a relação da frota japonesa que, há cinco dias, saiu do Japão para cacar baleias nas águas protegidas da Antartida.

Nisshin Maru - "factory ship"
Navio que processa carne de baleia, construido em 1987, com 129m de cumprimento, velocidade de 17 nos (embora nunca ninguem o tenha visto acima da velocidade de 15 nos), tripulação máxima de 110 pessoas. Embora tenha um laboratório para pesquisa a bordo, sua funcao principal é processar carne de baleia e armazena-la no freezer.

O Nisshin Maru tambem serve como navio mãe, oferecendo suplementos e reabastecendo o resto da frota. Embora nao seja um quebrador de gelo, o navio ja foi visto atravessando densas camadas de gelo.

"The catchers"
Os "Catchers" (traduzindo para o portugues, quer dizer "pegadores") sao rápidos e possuem uma poderosa granada acoplada ao arpao. Eles tambem possuem um sistema de abertura do conves e um mecanismo tipo guindaste para recolher os animais capturados. Abaixo a relacao dos tres "cathers".

Toshi Maru No.25
Contruido em 1962, com 68m de comprimento, velocidade de 16 nos e tripulacao maxima de 25 pessoas.

Kyo Maru No.1
Construido em 1971, com 69m de comprimento e velocidade maxima de 18 nos.

Yushin Maru
Construido em 1998, com 69m de comprimento e velocidade maxima de 17 nos.

The sightings vessel (spotter)
A principal função desta embarcação é achar as baleias. A frota depende dele para saber quais sao as melhores areas para capturar os mamiferos.

O Farley Mowat ainda necessita de alguns reparos, contudo esta praticamente pronto para a campanha. Também faltam chegar alguns integrantes da tripulacao e comprar suprimentos para a longa viagem.

Antes de partir estaremos enviando mais informações.

Um forte abraco a todos,

Daniel Fracasso