Minha primeira
investida no mundo fotográfico
começou como operador de laboratório P & B na Faculdade
onde era funcionário.
Tive que aprender às pressas para substituir
o monitor no curso de Artes e Desenho Industrial.
Por isso a tendência na manipulação de fotografias
em preto e branco
através de "efeitos e defeitos" no cotidiano com
alunos diariamente dentro de camera escura
ensinando revelar e ampliar e aprendendo com tentativas e erros.
Levou algum tempo para que a acuidade visual se revelasse no mundo
do abstrato,
do detalhe indefinido, do efeito bizarro e de ângulos inusitados
para que tomasse
ciência da infinita possibilidade do fazer artístico
através de uma camera.
Grande parte da produção fotográfica, são
imagens obtidas com a lente voltada para o chão
dos lugares abandonados e destruídos como também voltada
para as paredes velhas e
rachadas de ambientes que algum dia serviram como morada ou velhos
barracões demolidos.
Foi nesse cotidiano com alunos que passei a ensinar desde como operar
uma camera
em estúdio, até o laboratório principalmente
quando faltava professor e além de tudo,
minha formação por ser artes, contribuiu de todas as
formas
para que me tornasse um professor de fotografia.
Nunca ganhei prêmio em fotografia, mas já participei
de várias exposições
como a do Beto Batata, do MIS e outras bem interessantes.
Nesses oito anos em que leciono a disciplina de fotografia, muitas
coisas aconteceram
com estudantes e um dos casos que marcou,
foi a entrega dos trabalhos valendo nota máxima.
O tema era sobre "crianças abandonadas" no curso
de jornalismo
e um aluno "muito esperto" entregou um trabalho espetacular,
digno de nota dez.
Pena que ele esqueceu de perguntar se eu conhecia a obra de Sebastião
Salgado.
Em outra ocasião, um fato ainda mais enfadonho: emprestei uma
máquina fotográfica
(Nikon FM 10 da faculdade) para um aluno "turista" com o
propósito
de apresentar (atrasado) o projeto de final de bimestre.
Ele retirou a máquina na Sexta-feira e na Segunda-feira retornou
com a máquina satisfeito
dizendo que tinha batido + ou - umas oitenta fotos da sua viagem no
final de semana.
Ele só ficou triste quando pediu para que tirassem o filme
que ele pensava que eu havia colocado na máquina.
Em compensação é um grande prazer quando vejo
alunos meus produzindo trabalhos
surpreendentes e é isso que me deixa satisfeito. Por outro
lado, o maior empecilho
para quem brinca com fotografia, é o preço de máquinas,
equipamentos e acessórios
principalmente digitais, mas para quem está começando,
vale o investimento numa máquina reflex analógica manual,
porque fotografar não é só apertar o botão;
tem que bolinar a máquina; é como namorar.