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Flora, fauna, turismo...
Esses são os cenários preferidos e perfeitos para o "Bicho do Paraná":
Ricardo Zig Koch Cavalcanti,
um dos raros fotógrafos do país especializado em natureza.
No primeiro encontro de fotografia realizado pelo Fotos e Rumos,
no Café do Teatro, em Curitiba,
tivemos Zig Koch como convidado especial em um bate-papo gostoso e descontraído.
Mas se por um motivo qualquer você não pôde participar do encontro,
confira aqui a entrevista exclusiva que o simpatissíssimo Zig Koch nos
concedeu.
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Fotos e Rumos - Quando começou seu interesse pela fotografia?
Zig Koch - Eu ainda tenho a minha primeira câmera, uma kodak
stamática, que sempre saía meu dedo na foto. Eu ganhei
quando tinha uns 10 anos. Quando fui ao México queria fazer fotos com
mais qualidade, fiz uma economia e pedi para o meu
pai, que na época tinha facilidade de ir para o exterior, que trouxesse
uma câmera. Ele trouxe uma Pentax SP500. Quando
meu avô faleceu herdei a câmera dele. Na época comecei a fotografar
mais por que tinha mais equipamento. Analisando
minhas fotos antigas, raríssimas vezes têm pessoas e quando tem são
típicas da região.
Fotos e Rumos - A Arquitetura também faz parte da sua vida...
Zig Koch - Me formei em Arquitetura, exerci durante quatro anos.
Todo dinheiro que eu ganhava inconscientemente comprava
em equipamento. Aí chegou um dia em que eu não estava satisfeito no
escritório em que trabalhava, ou eu vendia o equipamento
fotográfico e montava um escritório ou vendia a régua T e comprava
filme. Foi uma decisão difícil, afinal estava me estabelecendo
como arquiteto e começar uma coisa nova não é fácil. Não exerço mais
a profissão de arquiteto, mas se não fosse fotógrafo
seria um arquiteto feliz. Também gosto muito de arquitetura.
Fotos e Rumos - E como foi o início da divulgação do seu trabalho?
Zig Koch - Eu ia para São Paulo com a minha pastinha embaixo
do braço duas vezes por mês. Saía de Curitiba meia-noite,
chegava de madrugada lá, passava o dia fazendo contatos e voltava à
noite. As vezes pernoitava na casa de uma prima.
E outras vezes ia para o Rio de Janeiro.
Fotos e Rumos - Não é só em terra firme que você fotografa. Fez também
vários trabalhos aéreos para empresas.
O que é melhor: fotografar no ar ou na terra?
Zig Koch - Eu adoro avião; adoro helicóptero. É um complemento,
não dá para dizer que é mais uma coisa que outra. Acho
que são as duas coisas relacionadas à fotografia. Gosto simplesmente
de voar, como gosto simplesmente de fotografar.
Fotos e Rumos - Profissionalmente você sempre fotografou a natureza
e turismo ou outros temas também?
Zig Koch - Faço fotos para empresas também. Não ofereço stúdio.
Se precisar tenho stúdios que posso usar. Mas não é o
trabalho que eu ofereça. Praticamente 100% dos trabalhos que faço são
fotos externas. Mas vendo o portfólio do meu serviço
como turismo e natureza.
Fotos e Rumos - Você já fotografou os quatro cantos do Brasil e vários
outros países, para quais veículos?
Zig Koch - Veja, Os Caminhos da Terra, Viagem e Turismo, Elle, Horizonte
Geográfico, Outdoor Magazine, Ícaro, Manchete,
Mares do Sul e Geográfica Universal. Entre revistas estrangeiras National
Geographic, América e The Nature Conservancy.
Fotos e Rumos - Você também colabora com equipes de pesquisas de
levantamento de fauna e flora em vários
locais do país. Como funciona esta dinâmica?
Zig Koch - Eventualmente eu me veiculo à equipe como fotógrafo.
Algumas vezes eu contrato uma equipe com biólogos para
fazer fotos específicas. Eu precisava de uma assessoria e os biólogos
faziam parte da minha equipe para fotografar.
Fotos e Rumos - Falando sobre a sequência do ninho da gralha-azul?
Como foi fotografar as etapas de crescimento
da ave, desde os ovos até a fase adulta?
Zig Koch - Eu e o biólogo Roberto Boçon visitamos o ninho durante
quatro semanas. Escalávamos o pinheiro, nos amarrávamos
lá em cima, fotografava, descia e vinha embora. Eu mesmo não via as
fotos que eram batidas, pois não tinha condições de subir
mais. Batia as fotos por tentativa, gastava um filme ou mais.
Fotos e Rumos - Quais os formatos de câmera que você utiliza?
Zig Koch - Eu uso formato pequeno convencional 35mm, o panorâmico
que faz 24x59 mm e pega 140º de ângulo, A mamya
645, formato grande 4x5.
Fotos e Rumos - Tem alguma fotografia que você queira fazer, mas
ainda não foi possível?
Zig Koch - Muitas. Desde locais, animais e pessoas mesmo. Gosto
de fotografar pessoas no estado natural, típicas de uma
determinada região. O mundo é muito grande. Vontade é o que não falta.
Fotos e Rumos - Hoje você é considerado um dos melhores fotógrafos
da natureza com reconhecimento da Rede
Paranaense como o "Bicho do Paraná". Qual a importância deste título
para você?
Zig Koch - Foi uma surpresa. Eu só sou fotógrafo. Na época qualquer
reportagem que saísse sobre natureza era novidade,
porque eram apenas dois fotógrafos que fotografavam sistematicamente
a natureza no Brasil. Eu fiz uma reportagem na Ícaro,
e a revista recebeu muitas cartas dos leitores. Através desta reportagem
eu tive a oportunidade de participar de dois livros. Fiz
uma exposição patrocinada pelo Banco Banestado com um material similar
a reportagem da Ícaro que depois foi doada pela
SPVS que eles usam até hoje. E através desta exposição foi feita uma
reportagem na Veja Curitiba (ainda não era Veja Paraná)
uma reportagem sobre meu trabalho, que na época era inusitado, ninguém
fazia isso e hoje pouca gente faz. Era um material
expressivo principalmente para época. É muito bom receber um prêmio,
ver que seu trabalho é reconhecido. Participei também
do programa Meu Paraná.
Fotos e Rumos - E os projetos futuros?
Zig Koch - Estamos tocando um livro sobre floresta com araucárias,
desde Panjeia ( 150 milhões de anos atrás) até uma
comparação do que está se fazendo com a Amazônia hoje. As fotos estão
quase todas prontas e o texto está sendo
preparado pela jornalista Maria Celeste.
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